Não precisa de título

corrupcao

Repulsa ao sexo

Este é o horrendo nome com que Repulsion (1965), filme escrito e dirigido por Roman Polanski, foi lançado no Brasil. Mas, se você relevar esse insulto, vais encontrar um filme espetacular.

No que tu pensa quando se fala em anos 60? Drogas, sexo livre, pílula-pra-não-engravidar, música irreverente, juventude libertária, lisergia e… ããããã… sexo livre; certo? Pois em plena metade dessa celebrada década, Polanski fez um filme na contramão de tudo isso. Em Repulsion há uma jovem (Chaterine Deneuve) que bem podia estar no elenco de Hair. Mas só à primeira vista. Carole, a personagem central da película, é uma adolescente beirando a carolice (com o perdão do trocadilho). Não se interessa por iê-iê-iê, não é libertária; muito pelo contrário, tem ojeriza pela idéia de alguém possa tocar seu corpo. Detesta a idéia de sexo, possui verdadeira fobia. Repulsion mostra uma autêntica esquizofrenia tomando forma vagarosa e paulatinamente. A atmosfera do filme é sufocante — desaconselhável para quem não encara bem a psicologia de alguém que se auto-destrói por medo.

Para além do enredo, Repulsion também merece elogios por seus aspectos técnicos. Algumas das melhores possibilidades de uma fotografia preto e branco estão ali. A câmera não é o que se pode chamar de inovadora, mas é contundente o suficiente para criar tensão no espectador. A trilha, de boa qualidade. A edição, precisa. Repulsion é um suspense belo e que não precisa recorrer ao escatológico para ser tenso. Ótimo filme, crianças. Bom mesmo.

Um trecho:

Habeas corpus para Daniel Dantas

Daniel Dantas

<breve intervalo na programação normal>

Em menos de 24h após a petição, onze pessoas consiguiram sair da cadeia por ordem do Sr. S. T. F.

Se tua intenção — ou a minha — fosse a de desejar “bom dia” para o presidente do Supremo, esse empreendimento dificilmente nos seria possível em menos de um único dia. Mas esses daí conseguiram um habeas corpus em menos de um dia, pô; e com direito a responsa assumida na moral pelo sr. Gilmar Mendes.

PS: Se o Idelber tivesse ariscado um palpite sobre quando seria a soltura do Dantas-o-Supremo-tá-na-mão, ao menos teríamos nos divertido com o anúncio.

PPS: reconheça-se o mérito de Mino Carta, responsável pelo único canal da chamada grande imprensa que foi incansável em não deixar Daniel Dantas sair de pauta.

</breve intervalo na programação normal>

O que é ruim nunca acaba

Poisentão: se este blog fosse bom, relevante, genial e imprescindível, é bem provável que de repente findasse. Esse é o destino de quase tudo o que é bom. As coisas medíocres é que tendem a permanecerem ativas indefinidamente. E tal é o caso deste blog. Na próxima quarta completaria-se um mês desde meu último post aqui. Fui sugado pelo ralo do final de semestre, abiduzido pela nave-mãe dos textos repletos de aspas — agradeçam à faculdade por ela ter me impedido de escrever aqui nas últimas semanas. Porém, já foram concluídos todos os experimentos com a minha pessoa. Após me virarem do avesso e fazerem perguntas estranhas, concluiram que sou apto a encerrar o semestre e me devolveram aos afazeres do cotidiano. Cá estou, então, diante do WordPress e de um Google Reader onde diz que há mais de 3.000 feeds não lidos.

***

Nunca me reconheci como nerd geek. E, creio, sinceramente, que não o seja. Porém, observei duas coisas à respeito de mim mesmo nessa última semana que apontam o contrário: primeiro, um colega ficou espantado por ver que carrego onde vou meu próprio Firefox 3 dentro dum pendrive* — fez uma cara de quem pensa “porra, mas tu é nerd hein!”; depois, auto-flagrei-a-mim-mesmo locando a segunda temporada do Arquivo X, outro elemento explicitamente nerd. Para completar, como se já não bastasse minha inquietação, li esse post hoje, que me deixou com uma pulgona atrás da orelha. Tomara que eu não entre numa crise existencial.

***

Tenho uma certa implicância, digamos, com os pós-modernistas. (Talvez perceba-se melhor isso lendo minha última coluna puclicada lá na Malagueta.) Esses pós-pós-tudo não pagam imposto para cometer ridicularidades. A última: “Ronaldinho Gaúcho é um jogador pós-moderno”.

***
Neste mês de julho o blog faz aniversário: um ano de ruindade no ar. 157 posts e 686 comentários. Pretendo me esforçar durante mais um ano ainda para manter o padrão de mediocridade daqui. Inté!
(*) Quer ter o teu Firefox portátil também? É só baixá-lo no portableapps.com e meter no teu pendrive ou mp3 player (com todo o respeito, obviamente).

Bombas do meu Brasil

Rezava a lenda que nós, luso-latinos dos trópicos, gozávamos de uma espécie de estabilidade vivencial ímpar. O Brasil seria quase que uma área especial criada por Deus imune à hecatombes; uma espécie de zona de segurança da ONU. Nosso único problema era o econômico, mas esse o Delfim Neto podia resolver — bastava ter paciência.

Porém, começaram as mega tragédias: ciclones, tornados e até terremotos. E, como se não bastasse isso, agora também temos atentados à bomba(!!!). Só nos faltam os terroristas de turbante (a polícia cinematográfica, ao menos, já temos). Tempos interessantes.

O mundo que é vermelho sem ser comunista

A Dani já havia “cantado a pauta” antes. E agora o Tas também a deu. Um robozinho da Nasa está em Marte tirando belas fotos e as mandando pra cá. E nós, nem estamos dando bola. Trinta anos atrás seria um acontecimento mundial… Essa humanidade nunca se contenta com o que têm, né não?

“Eu só me fodo nessa porra”

Os comentaristas especulam que em 1619, ano de sua “iluminação”, Descartes já dominava com maestria a “arte dos números”. E se sabe, graças a uma carta a seu amigo Beeckman, de Amsterdã, que em abril de 1619 Descartes encontrou-se “com um erudito que afirmava poder empregar um método retirado de Ars Parva de Raymond Lull de modo tão bem-sucedido que ele seria capaz de se pronunciar por uma hora sobre qualquer tema. Lull foi um autor do século XIII que escreveu sobre a ciência universal.” (SORELL, 2004, p. 17) Esse encontro certamente influenciou sobremaneira o francês, de modo que meses depois ele anunciaria haver compreendido sua “destinação intelectual”. Nascia uma síntese – com contundentes implicações metafísicas – entre a possibilidade de uma ciência geral e o método matemático; eis a contribuição decisiva que Descartes legou à filosofia moderna.

Uma (custosa) parte do meu trabalhão para a cadeira de filosofia.

Baita fim de semana divertido o meu, né não?

PS: o título apelativo do post é uma clara referência ao desenho mais escatológico que há (vai que alguém não sabe, né não?).

Mais difícil do que pergunta sobre Deus

Dada uma linha infinita, sua metade também será infinita?

Virei cantor de mambo

Andam brincando disso. Também entrei nessa, e criei a capa do meu primeiro disco:

capa_meu_disco

paradise in a few years é o primeiro disco da Students for Saving Social Security, uma banda pós-pós-pós qualquer coisa; seu som é tão inovador e não-afiliado a qualquer vertente que ninguém entende-o.

Quer participar da brincadeira? Veja as instruções aqui.

ATUALIZAÇÃO (7/6): confira as otimissíssimas capas criadas pelo Pablo, pelo Bruno, pela Dani, pelo Meyviu, e pela Cecília.

João Gostoso

– João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número. Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

– De novo esse?!

– Mas é o melhor.

– Ahã. Isso vai ser é um fiasco. Vê se pode. Quem é que vai querer ouvir sobre esse bendito João que era gostoso e não sei mais o quê.

– Mas é um dos poemas mais importantes que existem.

– Como que isso pode ser importante! Faça-me o favor. E, além de tudo, é triste. Acaba sempre na bendita da lagoa.

– Não precisa ser alegre pra ser bom.

– Mas e não é poesia?? Tinha que ser, no mínimo, romântica. Por que tu não escolhe uma coisa romântica, hein?

– Porque o drama tem mais beleza. Romance todo mundo sabe como acaba.

– Nada a ver.

– Claro que sim! No romance, ou se fica junto ou se fica separado. Não tem outras opções. No drama, não, no drama pode acontecer qualquer coisa.

– E um romance não pode ser dramático também, hein?

– Tá, não é um drama então, é uma tragédia, tá? A tragédia tem mais beleza.

– Ai, mas já tem tanta coisa ruim no mundo… E tu ainda me vem com mais essas tragédias aí. Credo, tem que ser pra frente o negócio, pensar positivo.

– Mas é uma poesia, pombas, tem que ser boa e só.

– E do que que adianta essa poesia aí. Quer falar de desgraça? Então vamos ser realistas. Tem que falar da desgraça mesmo, na cara, a desgraça de verdade. Sem essas frescurinhas aí de gente coitadinha.

– Óóó… E como é que tem de ser então, hein?

– Não tem aquele cara que, no sábado, fica botando umas fotos ali de mulher com os peitos de fora?

– O Milton?

– Esse daí. É outro metidinho. O mundo se acabando em tragédia, em desgraça, né, e ele lá, dando uma de adolescente tarado. Porra, cadê a desgraça!?

– Tá, mas o que que isso tem que ver com o poema que

– Me dá a senha do teu blog que te mostro.

– Pra quê?

– Ué, tu não gosta de uma tragédia bem boa? Tu e esses teus amiguinhos adoram ficar falando que a tragédia isso, que a tragédia aquilo. Vou mostrar o que é tragédia de verdade. O cara esse não tem aquele papo de que hoje é sábado e não sei mais o quê? Pois me dá a tua senha que hoje é domingo, e eu vô botar um negócio no teu blog chamado “e hoje é domingo”.

– E?

– E vô encher de foto de gente sem as pernas, de gente morrendo, de macacos sofrendo no laboratório… Não é tu que gosta de uma tragédiazinha?

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A extravagância fanfarrã da ostentação gloriosa do desejo. Rubem Fonseca em A grande arte
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