
Ele é um baita cineasta. Deixo claro de ínicio o que julgo sobre Jorge Furtado. Mas, desde que ele estreou com seu primeiro longa-metragem (Houve uma vez dois verões – 2002), ainda não tinha gostado tanto de um trabalho dele como gostei de Saneamento Básico, o filme. Não achei que se trate do “pomo supremo” do cinema, mas é o melhor longa dele até agora. De coração, gosto muito mais dos seus curtas. A primeira vez que assisti um tinha 13 anos. Foi o Ilha das Flores. Quando mais grandinho, reassisti esse e olhei muitos outras curtas do Furtado, quase todos. O cara é bom. Conta suas histórias muito bem – irreverência sem deixar de lado a inteligência (muito pelo contrário). Tem ótimas sacadas. Baita cineasta, já disse. Mas foi precisamente a inteligência que se ausentou dos filmes pós-2002. A inteligência do roteiro, porque a inteligência para contar a história ele nunca perdeu (ainda bem!). Infelizmente, se mostrou um Furtado rendido à água-com-açucar de um tipo de amor cinematográfico que dá ibope entre os adolescentes apaixonadinhos. Um Furtado que assimilou quase todos clichês ultra-mega surrados do cinema de entretenimento. Meu tio matou um cara (2004) e O homem que copiava (2003) são exemplares a esse respeito. Sem dúvidas são muito bem filmados, mas pobres de qualquer coisa mais sólida. Romances juvenis proibidos e crianças indo ao presído sozinhas, como se estivessem num shopping, são demais pra mim. Saneamento básico é o melhor justamente por caprichar num humor que não apela tanto para os lugares comuns de sempre. Tem diálogos impagáveis. É uma ótima produção do cinema tupiniquim, sem dúvida. Pena que o Furtado não resistiu à tentação de enxertar cenas desnecessárias só pra justificar a exibição de peitos e bundas globais… Mas o faz em muito menor grau do que nas duas películas anteriores, o que me agrada sinceramente. Nesse sentido é que essa produção “saneou” (perdão pelo trocadilho estúpido), por assim dizer, o seu trabalho. Várias pragas do cinema-pipoca presentes nos longas anteriores foram eliminadas em Saneamento básico.
Curti bastante a trilha e as tomadas da abertura. Paulo José e Tonico Pereira estão sensacionais. O humor sagaz, genial. Vale a pena crianças, vale a pena.
PS.: já que se falou em curta-metragens, me ocorreu recomendar um clique no Porta Curtas – pequeno paraíso do genêro.



Pena que ainda não vi, portanto não posso acrescentar nada às suas palavras, mas assim que puder ver volto aqui e deixo minhas impressões meu querido. Beijos.
OLHA A NORMA CULTA, CRIATURA!
à tentação de enchertar cenas
ENXERTAR!!!!
ops… corrigido.
Realmente, também considero o filme extenso e exagerado ao se tratar da parte corporal. Mas, talvez isso seja pura intenção do Furtado, quando fala que tudo pode acabar em pizza e em mudez também, que uma obra ruim é admirada exatamente por ter essa tonalidade de festa. O filme vale muito por isso..e claro..vale pelas risadas também. Abraços.
Assisti e adorei! Estou aguardando o lançamento em vídeo para assistir novamente. É um filme crítico, sem ser chato, todos os atores foram muito bem escolhidos, estão ótimos. O espectador é levado a se imaginar na cena, pois quem não tem um vídeo caseiro em sua casa? E como são engraçadas essas produções! Simplesmente gostoso de assistir, não percam.