James Watson, biólogo norte-americano que ganhou o Prêmio Nobel em 62 por ter descoberto a hélice dupla do DNA, afirmou ao jornal The Sunday Times que brancos são mais inteligentes do que os negros. Ele alega que os genes responsáveis pelas diferenças de inteligência entre os humanos poderão ser encontradas no prazo de uma década. (Fonte: El Pais)
Diz ainda o jornal que não é a primeira vez que Watson declara absurdos do gênero. Certa feita, defendeu que as mulheres deveriam ter o direito de abortar caso os exames pré-natais indicassem que o filho fosse um homossexual em potencial.
Muito estranha essa maneira de fazer “ciência” que andamos presenciando. Em que momento as hipóteses foram alçadas automaticamente a categoria de fatos? Por favor rebobinem a fita, que essa parte eu perdi… A julgar pelas barbaridades que atualmente ocorrem por aí, acho que talvez estejamos regredindo a um patamar de valores morais muito semelhantes aos medievais. Os padres, os portugas e os espanhóis que atracaram aqui há cinco séculos chegaram dizendo a mesma coisa: negros são menos inteligentes. Não têm alma. Coincidência?

Na foto, a Ku Klux Klan rendendo glórias ao Dr. Watson
Infelizmente, não chega a ser novidade a prática de procurar na biologia embasamento para posições ideológicas. Hitler já dizia que a “superioridade ariana” era uma verdade científica incontestável. E tenho certeza que o professor Ulisses poderia nos dar mais meia dúzias de exemplos sobre episódios em que ciência foi evocada para justificar crimes sociais.
Não, não acredito na imparcialidade e/ou neutralidade científica. Para mim, tudo está impregnado do meio que o cerca e não tem jeito. O que me irrita no discurso de gente como o Watson é o uso de uma pretendida ciência para naturalizar as desigualdades materiais entre as pessoas. Alguém tem de contar pra ele que esse método já está batido.



Mas que barbaridade tchê. Não consigo acreditar. Quando se pensa no século XVI espanhóis e portugueses afirmarem os índios serem desalmados, logo mais adiante negros serem inferiores ainda temos de levar em consideração as visões de mundo e a forte ideologia cristã por tráz destes fatos. Quando pensamos em século XIX e as teorias evolucionistas dando vazão a centenas de teorias excludentes que de certa forma justificavam as ações de seus contemprâneos já ficamos apreensivos. Mas pensar em século XXI com todos os avanços científicos e todas as discussões étnicas bem presentes na academia ver um homem falar algo do tipo é absurdo. Muito pior do que nos casos anteriores, pois eles tem uma “desculpa histórica” para o pensamento (o que não justifica de maneira alguma), mas esse senhor deveria pensar um pouco mais antes de sair afrimando tais bizarrices. Eu sei que existe muito preconceito ainda nesse mundo, e muitas pessoas procuram desesperadamente justificativas para tal, mas isso sempre me deixa chocada!
Já que você pediu, o que me vem na cabeça assim sem nem precisar pensar muito são os imbecis que no século XIX mediam o crânio das pessoas para dizerem se eram ladrões, assassinos, desonestos, inteligentes ou qualquer coisa que fosse. Sem contar as mil teorias que afirmaram durante toda a história da humanidade como as mulheres eram seres inferiores. Ah… e vale lembrar o darwinismo social que é uma teoria científica ainda bem respeitada e utilizada em alguns meios.
Achei que vc iria gostar, também de ler essa crônica sobre o mesmo assunto. Aproveite: http://ruitavares.weblog.com.pt/2007/10/serao_os_premios_nobel_menos_i
se o premio nobel disse é porque tem provas, e ele sabe se não não afirmaria. quanto as hipoteses serem alçadas à fatos, não são hipoteses ha provas disso. procure saber antes de ”blogar” como um bobo por aí.