O ano é 2050, e Bill Nash desdepe-se de sua garota. Depois vai entrar num avião e viajar sete horas até um campo de extração de petróleo, no qual trabalha durante seis meses por ano.
Que o buraco na bendita camada de ozônio cresce, todo mundo sabe. Esse fenômeno, aliado a outras ocorrências, chamamos de aquecimento global. O aumento da nossa temperatura derrete o rico gelo da Antártida (ou será Antártica?), gerando elevação do nível do mar. Uma tragédia, uma ecatombe, um drama — estamos destemperando o clima do planeta. Mas, acreditem, há quem esteja “contando as horas” para ver o gelo do pólo sul derreter.
É muito provável que existam milhares de Bill’s Nash’s daqui há três, quatro décadas. Acabando a cobertura de gelo, o único continente do mundo sem governo, regime político ou povo, pode transformar-se num imenso baú de riquezas naturais, protegidas por temperaturas baixíssimas ao longo dos últimos 15 milhões de anos. Petróleo, gás natural, ouro, xisto e carvão são alguns dos minérios que já sabe-se existirem nas profundezas do solo antártido.
Somando 1+1
Após as previsões catastróficas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas serem anunciadas no ano passado, a Inglaterra declarou que pretende assumir a soberania de mais de um milhão de quilômetros quadrados do solo gélido. Em seguida o Chile retrucou, pois também pretende conquistar o controle de um naco daquelas terras. As intenções de ambos entram em conflito com os interesses da Argentina e do Brasil, que passaram a reivindicar igualmente suas respectivas fatias do bolo. E ontem (11), a Austrália anunciou que está operando sua prórpia linha Tasmânia-Antártida, utilizando um Airbus A319 especialmente adaptado para decolar e pousar no gelo. Isso ao mesmo tempo em que o governo australiano prometeu vigiar a costa da região a fim de “inibir a caça de baleias pelos japoneses”. Há ecologistas que apóiam as intenções navais australianas, sem perceberem que assim aquele país vai assumindo, pouco a pouco, o controle de águas internacionais neutras…

A população da Antártida cresce mais de 100% ao ano, e centenas de empresas desenvolvem atividades sem fiscalização alguma
Há uma clara corrida pela posse das terras no extremo sul. A expectativa de degelo acelerado jogou lenha nessa fogueira. Nesse pé, a coisa vai degringolar e assistiremos a um romimento do Tratado da Antártida, documento internacional em vigor desde 1959 e que proíbe o uso do continente para fins não-científicos. O mundo é, sempre e cada vez mais, dos muito ambiociosos.



Que a Antártida é rica todos sabemos, mas não podemos esquecer que muito mais rica é a Amazônia que cobre 60% de nosso território. Tem muita gente de olho nela!
Precisamos manter nossa autodeterminação e continuar pleiteando um pedaço do continente gelado e continuarmos pensando no desenvolvimento sustentado do nosso tão cobiçado continente verde. O branco é só uma questão de tempo. Em 2048, quando deixar de vigorar o protocolo de madri, já seremos uma grande potência e teremos mais expressão internacional para pleitearmos uma boa fatia deste continente gelado.