
A tétrica imagem acima é um registro do dia de Ashurah. Realizado anualmente pelos xiitas, o ritual consiste em autoflagelações que visam recordar o martírio do imame Hussain. Imames são os grandes líderes religiosos do Islã (os sunitas utilizam a expressão califas para designá-los). Originalmente, imames eram todos os descendentes legítimos de Maomé. Hoje em dia, aplica-se o termo para identificar pessoas que exercem algum tipo de liderança relevante e reconhecida na religião muçulmana. O imame Hussain, em nome do qual os xiitas flagelam o topo da cabeça e as costas utilizando espadas e sabres, era neto de Maomé e foi barbaramente massacrado — junto com mulheres e crianças — na região de Karbala (Iraque), em 680 d.C., por ordem de um tal Yiazid. Os xiitas fazem questão de exibir amplamente o sangue, os cortes e a dor nesse ritual; registram nos álbuns da família o primeiro Ashurah de uma criança (veja mais imagens), e taxam de “infiel” o muçulmano que se recusa a tomar parte nessa festividade.
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Havia escrito mais dois parágrafos de coisas sobre esses fundamentalistas e suas convicções. Mas desisti de publicar e apaguei, porque, afinal, o que eu, um brasileiro formado mal e porcamente na tradição judaico-cristã de um país “civilizado” a magros quinhentos anos, sei sobre a cultura e os costumes daquele povo? O Oriente Médio, com seus cinco mil anos de civilização, permanece incógnito para mim. E imagino o quanto todo ocidental deve sentir-se assim também. O curioso é que muito se falou sobre essa região do planeta nas últimas décadas, principalmente por conta das crises petrolíferas. Mas continuamos sabendo quase nada, a não ser que nesse espaço geográfico encontra-se o orwelliano Eixo do Mal de George Bush. Definitivamente, quantidade de notícias não significa quantidade de conteúdo. Apesar do boom globalizante, Ocidente e Oriente permanecem aguerridamente separados por um fosso. E nós envelhecemos achando que lá, no Oriente, existem apenas sultões vivendo em haréns e terroristas no estilo “homem bomba”, todos se locomovendo sob antiguíssimos cemitérios de dinossauros. É o mesmo nível de conhecimento que nossos pais tinham, sem precisar de internet pra isso.
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Para quem gosta do assunto e quer saber mais sobre práticas religiosas, recomenda-se ler A viagem de Theo, de autoria da francesa Catherine Clement.
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Mudando de saco para mala: vacina contra a febre amarela deve viciar, pois já existe até quem tenha sofrido overdose do troço.



É bizarro. A imagem choca. A gente não entende e fica meio horrorizado. Mas concordo contigo: neste caso e em outros, o que entendemos nós da cultura do povo em questão? O problema é que, geralmente, quase todo mundo (e não me excluo) abre a boca e sai falando e só depois pensa que não sabe nada sobre o assunto…
Eu sou exemplo de abrir a boca e sair falando ó: Parece passeata de açougueiros…
Isso me cheira à ignorância atrelada ao fundamentalismo islamico..eca!
Sem paciência para isso, hoje.
Belo post.
Beijos
Many
Para conhecer mais sobre a religião islâmica um bom passo é recorrer ao Alcorão, que pode ser encontrado em qualquer livraria. É um festival de violência com muitas punições para quem não é fiel ao livro, mas nada que seja muito diferente do antigo testamento católico.
Pouco se sabe e pouco é difundido sobre a vida e os costumes do oriente médio porque o único interesse por aqui é passar notícias sobre atentados e mortes. Sangue vende e mutilação vende mais ainda.
Este ano vai acontecer a eleição presidencial americana e você pode esperar canais como a Fox News mostrando muitas barbaridades em nome da manutenção da guerra no Iraque.
Coloquei uma citação deste artigo no meu blog, qualquer problema é só dizer que eu retiro.
O blog é o http://olharplural.blogspot.com
Um livro interessante é Ali e Nino, ambientado em Baku, capital do Azerbaijão, que fica a noroeste do Irã. Conta a história do improvável amor entre um homem xiita e uma mulher cristã ortodoxa, tendo como pano de fundo o início do século XX.
Há inclusive uma descrição de um ritual semelhante a este da foto, com autoflagelação. Eu gostei muito do livro.
Algumas pessoas fazem isso no Brasil durante a Semana Santa, se flagelam pra pagar promessas ou como demonstração de devoção. Muitas religiões têm, em algumas instâncias, a automutilação ou flagelação como termo de devoção.
Dizer que isso é exclusividade do fundamentalismo islâmico é inocência, porque é sinal típico de qualquer fundamentalismo religioso.
VEJA BEM, INFELIZMENTE O SER-HUMANO É UM ANIMAL RACIONAL, PORÉM IRRACIONAL, POIS NAS ESCRITURAS O SENHOR NOS DIZ QUE FOMOS JUSTIFICADOS PELO SACRIFÍCIO DE JESUS, E QUE O ÚNICO SACRIFÍCIO QUE DEVEMOS FAZER É GUARDAR OS SEUS MANDAMENTOS POIS ELE JÁ PAGOU O PREÇO NA CRUZ DO CALVÁRIO!!!
PRECISAMOS APENAS NOS ARREPENDER DO MAL CAMINHO E ENTREGAR NOSSO VIDA AO REI DA GLÓRIA, SENHOR DOS EXÉRCITOS, REI JESUS, POIS O MAIS ELE FARÁ, A BÍBLICA NOS GARANTE QUE DEVEMOS DESCANSAR NO SENHOR, NA PRESENÇA DELE, E TODAS AS OUTRAS COISAS ELE O FARÁ E ENTREGARÁ EM NOSSAS MÃOS!!!
SINTO-ME ENTRISTECIDO AO SABER QUE PESSOAS PRECISAM SE AUTO-FLAGELAR PARA SE SENTIREM PERDOADAS, INFELIZMENTE NÃO ENTENDERAM A MSG DA CRUZ!!!E MAIS NOSSO CORPO É TEMPLO DO ÉSPÍRITO SANTO DE DEUS E DEVEMOS CUIDAR BEM DA CASA DE DEUS E NÃO AUTO-FLAGELÁ-LO.