
Universidade pública brasileira costuma ser algo cheio de bolor. Dino-professores, ausência de tecnologia de ponta e defasagem de pessoal. E há também as muitas hordas de estudantes esnobes, que desfilam como pavões e por muito pouco não andam pela rua usando uma camiseta onde se leia “estudo numa Federal, faça o favor de me respeitar seu reles mortal”. Mas em 2007 alguma coisa andou agitando as universidades. Serão os ventos de 68 se anunciando?
Fazia muito, ao menos no Brasil, desde a última vez que estudantes universitários foram notícia. Não um estudante ou um pequeno grupo. Mas OS estudantes. A letargia nas salas de aulas e cátedras tupiniquins sempre foi notável. Diferente do que ocorre em outros países, pouquíssimas vezes vimos nossa comunidade acadêmica se posicionar com relevância – e publicamente – sobre algum tema. Porém, no ano da graça de 2007 ocorreu uma onda de protestos estudantis impressionante. Vimos alguns milhares de estudantes eufóricos, criativos, cantando músicas de protesto, dando discursos e dormindo em colchonetes. (E não era um festival de música.) Trinta e várias universidades públicas tiveram reitorias ocupadas, de norte a sul, em quase todos estados. A rapaziada botou o pé
e ergueu acampamento. As reivindicações? Diversas. A primeira ocupação de protesto foi na USP, contra os decretos do governador José Serra (veja aqui a pose do excelentíssimo), e durou mais de dois meses. Depois se espalhou para as outras instituições paulistas (Unicamp, Unesp, etc). Não demorou muito e a agitação transbordou por outras universidades, cada qual com suas reivindicações próprias. Essa “febre” jogou luz sobre o chamado movimento estudantil, que andava muito obscuro e rarefeito nas últimas décadas.
Coincidência ou não, tudo isso se deu às vésperas do aniversário de 40 anos do Maio de 68 francês, a maior convulsão sócio-cultural do mundo moderno, e que foi protagonizada justamente por estudantes universitários. Nesse ano de 2008 você vai ler, ouvir e assistir diversas coisas sobre esse famoso, e não menos charmoso, mês de maio. Se você não sabe nada sobre o episódio, então agora é a hora. Em maio linkarei aqui o melhor post que ler sobre Maio de 68. E também vou preparar o meu, claro

Saiba mais:
O espectro da revolução, artigo de Tony Judt publicado na Revista Piauí
68 mudou o mundo, livro de Márcio Moreira Alevs
A geração AI-5 e Maio de 68, livro de Luciano Martins
Paris: Maio de 68, um testemunho (em PDF)



A grande razão das invasões das reitorias das federais foi o REUNI, que tanto aqui (UFPR) quanto em vários outros lugares, acabou sendo aprovado do mesmo jeito. Por essas e outras, se as “conversas de corredor” se confirmarem, teremos um 2008 com greves de docentes e mais notícias sobre os estudantes…
Parece ter sido a mesma motivação instintiva que causou maio de 68. Interessante como aconteceram tantas coisas, como a cultura foi revolucionada em várias partes do mundo, naquele ano! E mais interessante ainda é como ninguém conseguiu explicar direito o porquê da grandeza daquele ano.
Só sei que em maio de 08, estarei nas ruas de São Paulo! Se não quebrando coisas, registrando os outros quebrarem