Este húngaro ao lado chama-se István Mészáros. É filósofo, professor e autor da Teoria do Valor Decrescente de Uso. Esse nome pomposo traduz uma prática costumeira da indústria — principalmente da indústria tecnológica — que todos nós conhecemos. Aliás, ela, a prática em questão, também costuma atender pelo nome de obsolência programada. A durabilidade de um produto é reduzida constantemente para possibilitar um aumento na taxa de lucro do produtor. Trata-se do seguinte: por que razão eu, sendo dono de uma fábrica de lâmpadas, vou produzir uma lâmpada que dure 5 anos se posso fazer uma que dure apenas 1? Se colocar no mercado a que dura mais, ganharei menos dinheiro. Esse comportamento teorizado por Mészáros emperra parte do desenvolvimento tecnológico. Afinal, quem investe na pesquisa de produtos “eternos”?
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Pois Mészáros entrou no assunto era porque queria dizer que hoje (14), Dia de São Valentim (que é quando se comemora o Dia dos Namorados em diversos países), está sendo divulgado um estudo da Universidade Autônoma do México sobre a “durabilidade” do amor. Ou seja, sobre o “Valor de Uso” do amor. Os pesquisadores responsáveis informam que, segundo as informações coletadas, o amor por uma pessoa dura no máximo quatro anos.
Há não muito tempo, o amor era uma categoria eterna. Durante a vida amava-se “de verdade” uma só vez, e infinitamente. Amor era quase sinônimo de inesgotablidade. Mas, paulatinamente, o tempo de duração do sentimento vem sendo reduzido. A partir de certa feita passou a aceitar-se até dois casamentos na vida de uma pessoa (entenda-se que casamento sempre foi apresentado, ou melhor, idealizado, como a consumação do amor). Três no limite. Mais do que isso, ele ou ela tornavam-se “mal falados”. Depois, um número superior de casamentos passou a ser socialmente aceito. Logo, casamento e amor foram desvinculados. E me disseram que antes já houve outra pesquisa afirmando ser o amor algo que dura em torno de sete anos. Hoje fala-se em três anos a menos. É público e notório que o Valor de Uso do amor decresce vertiginosamente.
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PS: no suplemento cultural do El Pais, Carlos Boyero resenha Tropa de Elite e o compara ao que se tem produzido recentemente na Alemanha e no Japão.
PS2: Já ouviu falar em peso do conhecimento?



Sobre a negação da arte em Tropa de Elite passe um olho em um blog de literatura e jornalismo, em http://urarianoms.blog.uol.com.br/
Abraço.
João, empurrei um meme pra você.
http://opensadorselvagem.org/blog/navalha/blogar-uma-profissao/
Abraço.
E desde quando o amor pode ser cronometrado ou calculado??? Esses cientistas e pesquisadores abusam cada vez mais da nossa boa vontade de leitura.
(mas vale só lembrar que “antigamente” as pessoas não casam e permaneciam casadas necessariamente por amor, mas também pela família, religião e tradição… então o número de divórcios etc ter aumentado não significa menos amor)
abraço!
Com certeza, Pablo! Muito pouco se casava por amor no “antigamente”. Mas, do ponto de vista ideológico, o casamento era apresentado como a “maior consumação possível do amor”. O que eram (e ainda são) as missas rezadas para sacramentar um casamento…
Se pega a “moda” de medir o quanto se ama, logo surgirão serviços anunciados assim: calcula-se amor, pergunte-me como
Bruno, muito bacana o meme. Vou responder com certeza
hahahaha, muito bom! ótima perspectiva sobre os rumos do mercado financeiro! bom negócio pra se investir
Meu sonho é enrolar meu bebê JONHSON numa toalha felpuda lavada com CONFORT. Começei a sonhar um dia, passeando pelo CARREFOUR… Não sei o que o amor tem a ver com o valor (mesmo moral). O J. G. Rosa: “haja o absoluto amor e qualquer causa se irrefuta”. O Machado de Assis disse algo como que Deus inventou o amor e o capeta o casamento. O Drummond disse que o amor restou inútil. Inútil. É isso! Inútil ! Quem vai pagar pra ver?