A humanidade, essa fanfarrã, quer sempre classificar mais e melhor o que realiza. Pois então, que assim seja. Aqui, mais um post no mundo sobre blogs e blogueiros (se você é alérgico a esse assunto ou é sensível a superdosagens, por favor pare de ler agora).
Por ocasião do woodstock geek, as meninices de alguns blogueiros (que, confesso, achei bem engraçadinhas) renderam ene conversações na blogosfera sobre se a atividade de blogar pode ser comparada (com ou sem demérito) à atividade jornalística. Daí, nasceu esse meme que vos fala, repassado a mim pelo Bruno Cardoso.
Bruno, que não é bobo nem nada, consultou o Aurélio em busca de uma boa e velha certeza (leia mais sobre certezas aqui), dessas que só dicionários e enciclopédias podem oferecer. A definição de profissão é apresentada como “meio de subsistência remunerado”. Logo, se o critério é este, pode-se dizer que sim, talvez blogueiro seja mesmo uma profissão. É perfeitamente possível, como bem se sabe, obter remuneração editando um blog (apesar de ser essa uma situação MUITO excepcional; o que se costuma chamar de blog monetizado é, na maioria das vezes, um site de abobrinhas onde existe caixa para comentários — e isso não é um blog de verdade). Mas auferir grana, por si só, não pode ser o critério, por mais que esteja no dicionário. Do contrário, pedir esmola também seria profissão.
É chato repetir o que já foi dito, porém, é só o que nos resta: blogar é um método de interação social com grupos afins. Essas interações geram atividades correlatas e propiciam distribuição de conteúdo. O blog é uma ferramenta social, mas não faz nada sozinho, não tem vida própria. Quem obtém sustento financeiro por blogar, o consegue graças ao conteúdo que disponibiliza, e não pelo fato de saber alavancar um PageRank. O ato de elaborar esse conteúdo é que pode vir a constituir uma profissão. “Blogueiros profissionais” são nada mais que bons redatores, bons publicitários, bons editores, bons repórteres, bons cronistas, etc.
“Ah, João, mas saber ‘como a internet funciona’ exige determinados conhecimentos, estudo e dedicação. Como isso não pode ser uma profissão?!” Realmente, se você deseja ser um profissional que atua na internet, terá de dominar certas técnicas e procedimentos. Porém, (e sempre há um porém) técnica profissional NÃO é a mesma coisa que profissão. E uma mesma técnica pode ser útil a diversas profissões. Essa é a grande confusão que, muitas vezes, vinagra esse tipo de debate. O busílis é não confundir focinho de porco com tomada.
Pitaco sobre a “polêmica” blogueiros X jornalistas: não é necessário dizer mais nada sobre o absurdo da comparação (a Gabriela já fez isso muito bem, não deixe de ler), mas há um quesito no qual os blogueiros que trepudiam dos jornalistas têm razão: falta de reconhecimento. Dezenas (serão centenas?) de jornalistas usam o conteúdo de blogs como fonte mas omitem isso de seus leitores. O que custa dar os devidos créditos? Por que o jornalista que publica na Folha, por exemplo, não pode escrever “segundo informações do blog tal”? Se eu me considerasse um blogueiro a ponto de ir até o Campus Party, não tomaria parte nos infantis (mesmo que graciosos) protestos. Meu tipo de “protesto” seria outro. Confeccionaria uma camiseta dizendo: “Prezado jornalista, saia do armário — se você lê blogs para escrever suas matérias, não tenha vergonha de assumir”. E pronto, estaria dado o recado.
Atualização (23/2) — Havia me esquecido que memes nascem é para circular. Então, assumam ele todos que se animarem



Cara, técnicas profissionais não fazem mesmo uma profissão, não sei ao certo o seu conceito de profissão, mas o meu vai muitíssimo além da única e exclusiva utilização de técnicas.
Po, esqueci de deixar um lembrete, o Interney também comentou a respeito dessa celeuma blogs x jornalismo, o artigo é interessante e o cara chegou a propor um dia de blogagem coletiva onde a postagem seria algo não veículado pela mídia. Se quiser, dá um pulinho http://www.interney.net/?p=9761727
Dizeres numa camiseta? Coisa mais geek… Por que não um molotov?
(o que foi?, não me olhem assim)
Talvez a polêmica toda não existiria se blogs e a imprensa fossem “amiguinhos”. Essa política da mídia de não linkar blogs é completamente insana. Não custa nada incluir um link em algum lugar da postagem e dar os devidos créditos, ainda que seja com um “nofollow” básico
Quanto à questão central do post… tendo a concordar contigo no sentido de que blogar está mais para uma atividade dentro de uma profissão, do que propriamente uma profissão em si
(mas não descarto a hipótese de que no futuro venha a se tornar uma atividade autônoma).
haha, Pablo, é verdade. camiseta é high geek
Gabi, eu também não entendo porque a chamada grande mídia insiste em não linkar blogs. É muito infantil e ridícula essa política.
E eu também não descarto a possibilidade de num dia, quem sabe, talvez, blogar tornar-se uma atividade autônoma…