“Você vê meu reflexo, mas este não é um filme de reflexão”

 

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Assisti na segunda-feira O Grande Chefe (2006), película do dinamarquês Lars von Trier, diretor e roteirista sagaz (para se dizer o mínimo). Surpreende o fato de ser uma comédia, gênero inédito na filmografia do nosso diretor. E, apesar de von Trier — que faz às vezes de narrador — prometer logo no início uma “comédia inofensiva”, o que se vê continua inscrito na carecterística maior da sua obra: explorar e espezinhar o sórdido do ser humano.

Imagine um gerente que se comporta como um verdadeiro “ursinho fofo”: sempre amável com os colegas, sempre disposto a ajudar, sempre prestativo. Agora imagine um “big boss” insensível, capitalista até a raíz, capaz de torturar psicologicamente seus subalternos sem demonstrar qualquer tipo de dó ou piedade. Agora descubra que ambos são a mesmíssima pessoa. von Trier é isso: contradições expostas sem clemência. N’O Grande Chefe temos mais desse mesmo — mas não confunda isso com de falta de originalidade.

***

PS.: que vontade danada de viajar para conhecer o mundo — como se faz isso?

9 Respostas para ““Você vê meu reflexo, mas este não é um filme de reflexão””


  1. 1 B.Cardoso Fevereiro 29, 2008 às 12:40 am

    Do Lars eu só vi “Os Idiotas” e recomendo, o filme é realmente muito bom. Eu já tinha ouvido alguma coisa a respeito do Grande Chefe, mas agora que você o citou eu vou procurá-lo com mais afinco.

  2. 2 Daniela Fevereiro 29, 2008 às 12:07 pm

    Adoro os filmes do Lars (olha a intimiade).

    Esse eu nunca vi, seguirei minha intuição, gosto e sua dica e assistirei!

    E então, que dias tem aula no Campus do Vale???

  3. 3 João Barreto Fevereiro 29, 2008 às 3:44 pm

    Bruno, sim, “Os Idiotas” é realmente muito bom :) Procura O Grande Chefe, vale o esforço de localizar o dvd.

    Menina Dani, não deixe de assistir também ;)
    (Minhas aulas serão de seg a sex, sempre a noite)

  4. 4 Ana Claudia Calomeni Março 1, 2008 às 1:35 pm

    Olá João. Obrigada pelo comentário carinhoso que vc deixou lá na Revista Malagueta sobre o meu conto :)

  5. 5 André Luiz Velloso Março 1, 2008 às 3:14 pm

    “PS.: que vontade danada de viajar para conhecer o mundo — como se faz isso?”

    Tá difícil…

  6. 6 João Barreto Março 2, 2008 às 9:42 am

    É, André, tá difícil mesmo…

  7. 7 Rafael Reinehr Março 2, 2008 às 12:18 pm

    Mochila nas costas? Bicicleta? Fotógrafo de cruzeiro? Gigolô? Descascando batata no porão? Eis algumas formas de viajar pelo mundo, uma bem diferente da outra…

    Anotado, vou baixar aqui na UseNext… Já vi alguns filmes do Lars von Trier: Manderlay, Dogville e Dançando no Escuro. Não sou fanático, mas gosto do seu trabalho. Para uma ilha deserta (com eletricidade e um aparelho de DVD), preferiria levar os filmes de Gus van Sant ou quem sabe, do Tarantino.

  8. 8 Bender Março 3, 2008 às 9:51 am

    Gostei. Vou tentar ver.

    O brabo é q o telecine NUNCA passa filmes do Lars.

  9. 9 João Barreto Março 3, 2008 às 1:33 pm

    Oh, sim, Rafael, Gus van Sant é muito bom mesmo! E sobre viajar é o seguinte: já pensei em todos esses métodos (menos o de gigolô, hehe) mas tudo esbarra num misto de falta de coragem e preguiça… Um dia terei de me resolver…

    Bender: Hahaha, é verdade. No canal da Ulbra é que talvez passe um dia…


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