No Brasil, costuma-se apresentar o Dia Internacional da Mulher como uma data criada em decorrência do incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova York, no qual morreram carbonizadas mais de uma centena de operárias. Porém, esse é um equívoco histórico tremendo.
Foto: Franklin Lima (sob licença Creative Commons)
Não se sabe bem ao certo como e porque a versão equivocada se difundiu. O episódio do incêndio na fábrica de tecidos nova-iorquina realmente aconteceu, mas foi no dia 25 de março de 1911 (e não em 1857, como costuma constar na versão incorreta). A Triangle Shirtwaist Company empregava jovens mulheres imigrantes que trabalhavam 14 horas por dia e ganhavam entre 6 e 10 dólares por semana. Em 1909 já havia ocorrido uma greve daquelas operárias, que cruzaram os braços reivindicando redução da jornada e um ambiente de trabalho menos insalúbre. Nenhum pedido foi atendido. Dois anos depois se deu uma das maiores tragédias laborais da história do capitalismo.
O incêndio aconteceu justamente no mês em que se comemorou pela primeira vez no mundo o Dia da Mulher. Foi em 1910, durante o II Congresso Mundial de Mulheres Socialistas, que uma comunista alemã chamada Clara Zetkin propôs a criação da data. A proposta foi bem recebida, e instituiu-se o 8 de março. Com o passar dos anos, a data foi incorporada por todas as mulheres do planeta, fossem elas comunistas ou não. Por fim, em 1975 a Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas também reconheceu o dia, sem, porém, fazer qualquer consideração oficial sobre sua origem.
Se você deseja saber mais, recomendamos o excelente artigo de Eva Blay publicado no Núcleo Piratininga de Comunicação.




Gostei de saber sobre a origem da data, fica como curiosidade satisfeita.
Porém o mais importante é que tem uma data. Ter uma data é convergir lembranças de luta, comemorações, reflexões para um dia do ano pelo menos. O dia em que alguma coisa é lembrada.
As mulheres já conseguiram muita coisa, estão em pé de igualdade em muita coisa também. Mas ainda faltam outras. Porque o salário deles ainda é menor se são tão ou mais competentes que os homens em várias áreas?
É, Alexandre, infelizmente ainda há muito machismo (por mais que alguns empolgadinhos adorem dizer que racismo e machismo não existem no Brasil). No mundo do trabalho e no imaginário popular o que resta à mulher, muitas vezes, é o mero papel de “multiplicar” a força de trabalho da sociedade através da reprodução.
Quer dizer que vou ter que devolver os presentes? Puxa ;~