O princípio lógico da afirmação de Cecília Meireles sobre a questão da liberdade (Liberdade, essa palavra / que o sonho humano alimenta / que não há ninguém que explique / e ninguém que não entenda) não é universal. Há diversas coisas que não são explicáveis mas que, nem por isso, todo mundo entende. Esse é o caso da Razão. Não que inexistam explicações do que ela é — pelo contrário, existem muitas. Centenas. Talvez milhares. Quando há explicações demais é, de certa forma, como se não existisse nenhuma, pois, se é preciso tanta explicação diferente, é sinal que se está distante de compreender a coisa em sua “essência”, digamos.
Atribuímos significados distintos à Razão: podemos usar a palavra fazendo referência a motivo/causa (Qual a razão disso?), certeza (Eu estou com a razão.), lucidez (Recuperei a razão.), regra (A razão desta equação será sempre 2.), capacidade (Tenho mais razão do que os outros.) etc, etc e etc. Temos uma dificuldade enorme de precisar o que é a Razão e o que é razoável num sentido universalmente válido, inquestionável. Por exemplo: de acordo com a minha razão, é completamente irracional um bendito dum padre se amarrar numa penca idiota de balões coloridos e sair voando por aí ao sabor do vento. É mais que irracional, é imbecil, estúpido. Mas, de acordo com a razão do tal padre, deve ser perfeitamente razoável flutuar por aí, principalmente num dia de péssimo tempo. Certamente ele deve ter suas razões (quem sabe encare a coisa como uma maneira de ficar mais próximo de Deus, vai saber…).
PS.: você vai me dizer que Razão é a capacidade de não fazer bobagens letais. Óquei. Mas o que é, então, uma bobagem?
PS2.: vale tudo para responder a questão do pêesse anterior, menos xingar a excelentíssima minha mãe.




Não sei não. Acho que razão está mais para a capacidade de ponderar sobre as conseqüências das bobagens que, por algum motivo, você quer ou vai cometer. Algumas valem a pena.
Mas a irracionalidade deste servo que deus não poupou foi, ao que parece, ter ignorado o mau tempo para fazer a sua grande bobagem.
De qualquer forma, além de conter uma dose inevitável de humor (negro?), é algo surreal. Eu não estava sabendo dessa e jamais me passaria pela cabeça que um sujeito trocasse a batina por balões de festa e saísse voando por aí para promover as ações da Pastoral Rodoviária do Paraná (?!). Repito, surreal.
Ora,
qual a diferença entre o clérico e o Pepê Lopes?
Por que TODOS os outros padres não o imitam? Encontrariam-se no paraíso.
Bruno: completamente surreal. E pensar que houve uma época que a maioria da humanidade encarava os padres como autoridades inquestionáveis… Os que ainda fazem esse tipo juízo dos servos de deus deveriam seguir o conselho do Milton: amarrem-se num balão também!
PS.: esse episódio é, sem dúvida, uma notória fonte de humor negro.
Matheus: o Pepê Lopes sabia o que fazia. O padre achava que tava na mão de Deus, então tudo estava resolvido… Deu no que deu.
Milton: proposta plenamente apoiada! Poderiam instituir o Dia Mundial de Encontro Literal com Deus. Seria uma prova cabal de que o destino do clero é subir aos céus.
Na minha opinião, esse padre já foi prô céu! rsrsrsrs
“Helium”
Tudo vai dar certo porque está tudo errado
O palhaço voou
O padre bateu asas
Muita calma nessa hora
Jesus te ama
Bênçãos coloridas são todas nossas
Tipo aquelas bolinhas
No playground
de mentirinha
Enquanto mamãe fazia compras
No supermercado
Num ato de heróica resignação
Papai do céu ficou brabo
Tem tornado nessa região
de tortuosos magnetismos
Alvoroço às avessas
O corpo ainda não encontrado
Apenas vestígios da oração
Ir embora é sempre tão bom
O espírito vai que vai
Voa voa passarinho