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Global Voices Online: original, útil e ousado

A quantidade de informação circulando na rede só faz aumentar, e isso nos tenciona à desorientação. Há tanta coisa para ler, assistir, observar e ouvir que, por vezes, não sabemos qual conexão seguir. Creio que todo mundo já tenha, ao menos uma vez, se “paralisado” diante do navegador: o que vou fazer agora?, aonde vou?. Talvez seja por essa razão que vemos os agregadores e observatórios de conteúdo crescerem vertiginosamente. Referência é uma palavra-chave nesse contexto. Como inexiste edição do que circula ou não na rede (ainda bem), contar com fontes dotadas credibilidade* e capacidade de pinçar o que interessa** é cada vez mais necessário.

logo-gvo.jpg Por isso quero compartilhar aqui uma referência minha de conversação na web que é o projeto Global Voices Online. Daniel Duende, “o Verde” (que me foi apresentado pelo Bruno), é Coordenador da Seção em Português do GVO e nos explica do que se trata:

Podes contar, em resumo, as origens e trajetória do Global Voices Online? Como surgiu a seção em Português?

O Global Voices Online surgiu de conversas entre pesquisadores de novas mídias do Berkman Center de Harvard, jornalistas de assuntos internacionais e blogueiros. Em meio a estas conversas se percebeu a demanda, e a falta, de observatórios que se ocupassem em captar e traduzir as conversas que estão acontecendo globalmente nas blogosferas e de dar voz a indivíduos e grupos que de outra forma estariam falando apenas com suas comunidades. É um projeto de mediação e de discussão, ao mesmo tempo. Mediação, pois faz a ponte entre conversas locais e as audiências globais. Discussão, pois ao trazer discussões e posições locais, ou de contexto local, para os olhos do público global, incita uma reflexão e uma discussão a respeito destes temas, e da forma como cada um se coloca em relação a eles. Da mesma forma que cria simpatias e conscientiza leitores de vários cantos do mundo a respeito das realidades locais, também evidencia posicionamentos e conflitos, e até mesmo a ignorância, de alguns grupos a respeito de outros — por vezes bem próximos a eles em distância ou realidade. É, em suma, um experimento que ainda tem um longo caminho pela frente, mas que já traz muitos bons frutos para aqueles que estão atentos ao que está sendo realizado.

O projeto Lingua, do qual o Global Voices em Português faz parte, surgiu de conversas ocorridas no encontro global do GV, realizado em Delhi (Índia) em 2006. A noção de que não bastava centralizar as vozes globais em língua inglesa no observatório, e de que o mundo não-anglófono também fazia parte das conversas que ora aconteciam no observatório, fez nascer um esboço do que hoje é o projeto Lingua, que está traduzindo os conteúdos das Vozes Globais para mais de dez idiomas. E a conversa só tende a crescer e engrossar, com os projetos e mudanças que virão em breve.

Por que resolveste colaborar com o projeto? Como é a experiência de ajudar a promover conversações entre internautas de tantos lugares diferentes do mundo?

Já me interessava pelas conversas locais e globais ocorridas e mediadas nas blogosferas desde 2002, quando comecei a escrever meu blogue Alriada Express. Naquele tempo eu ainda não tinha muita clareza do tamanho da coisa, mas já sentia que se tratava de uma tendência mundial que mudava pouco a pouco a face da comunicação de uma grande parcela da população mundial. Quando descobri o Global Voices, a princípio fiquei cético — como muitos — a respeito de sua real fidelidade à proposta que defendia. O fato de ser um projeto bancado inicialmente por Harvard e pela Reuters me deixou com o pé atrás. Com o tempo, contudo, fui percebendo que a coisa era mesmo séria e que o trabalho realizado pelo observatório era não apenas sério, mas também revolucionário. Foi mais ou menos nesta época, meados do ano passado, que surgiu a oportunidade de começar a colaborar com o então neonato projeto Global Voices em Português. E foi que fiz. E não é que o garoto gostou tanto de mim que acabei virando o padrasto dele? Global Voices é isso. É quase como entrar em uma família. Ele te demanda tempo e dedicação, mas vira a sua cabeça e muda até a forma como você percebe a si mesmo e ao mundo à sua volta. E é por isso que eu estou lá. Pois ele faz a diferença na minha vida, e na vida de milhares de pessoas pelo mundo afora, de uma forma ou de outra.

Como é possível que outras pessoas também colaborem?

O Global Voices Online é, antes de mais nada, uma enorme rede de conversas e colaboração. Quase tudo é baseado em colaboração voluntária, e não poderia ser diferente em um projeto com este escopo. Há, portanto, muitas formas de colaborar com o Global Voices Online. A mais simples e básica é simplesmente participando das conversas — lendo e comentando — o que está sendo publicado por lá. Além disso, convidamos aos blogueiros e outros envolvidos com a comunicação para que puxem os feeds RSS do Global Voices e o exibam em seus blogues/sites, e que levem as discussões do site aos seus grupos, ecoem as vozes que ecoamos, aumentem o tamanho da conversa.

Além disso, há muito espaço também para a colaboração direta com nosso trabalho. Todo o trabalho de tradução, revisão e publicação do Global Voices em Português é realizado através de colaboração voluntária. Uma rede de voluntários que se articula através de um (geralmente bem animado) grupo de discussão onde as tarefas são repartidas, as frustrações divididas e as realizações reconhecidas. Para participar da rede de colaboradores é muito simples. Se você está interessado em traduzir, revisar e publicar as matérias do Global Voices em Português junto com a gente, basta entrar em contato comigo através do site ou por email: daniel.carvalho [arroba] gmail.com (não mandem SPAM; todo mundo já faz isso, e o meu gmail sabe muito bem como jogá-lo no lixo).

Em última análise, existe uma quarta forma, igualmente importante, de se colaborar com as Vozes Globais. Blogue sobre seu mundo, fale do que vê e o que pensa a respeito, e faça parte das conversas de sua blogosfera. E, se achar que uma conversa é digna de ser observada, não se acanhe — entre em contato comigo pelo mesmo email e cante a pauta. Como co-editor de língua portuguesa do Global Voices tenho todo o espaço que preciso para observar e falar sobre as conversas de nossa blogosfera no observatório, e teria enorme prazer em contar com a colaboração de nossos blogueiros para isso.

O que você está esperando para colaborar também?

 

(*) “Credibilidade” é muito relativo à perspectiva de cada um e de seu grupo social, não acredito em fórmula universal nesse sentido. (**) O mesmo vale para a noção do que é “interessante”.

A copa do mundo é nossa, laiá, laiá, laiá

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Correligionários dos partidos políticos que nos últimos meses estavam engajados no esforço de trazer para o Brasil a Copa de 2014, realizaram grande festa no início da tarde de hoje (30) a fim de comemorarem a escolha da Fifa.

“Vai ser muito bom para o nosso desenvolvimento”, declarou um empolgado senhor, fazendo referência as possibilidades de superfaturamento por conta das obras que erguerão a infra-estrutura necessária ao evento.  “A construção e reforma de estádios e estradas proporcionará a geração de muitas oportunidades”, completou um representante da associação das empreiteiras.

“Leia o que diz o contrato do Hotmail”

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World Wide Web, o famoso www, é uma ferramenta de pesquisa criada para facilitar a troca de informações na internet.  Um dos inventores dessa ferramenta que se tornou sinônimo de internet é o belga Robert Cailliau. Aos 60 anos, o cara mora no interior da França, não ficou rico e sequer tem celular.

Em entrevista ao Caderno Digital do jornal Zero Hora, Cailliau critica o uso comercial da rede e diz que empresários, políticos e freqüentemente jornalistas não entendem o que de fato é a web. Confira abaixo a transcrição da entrevista na íntegra:

Pergunta - O senhor disse estar decepcionado quanto à evolução da web. Por quê?

Robert Cailliau - Há muitos aspectos sobre os quais estou contente: a Wikipédia, os blogs, os círculos de pessoas que têm coisas a compartilhar. Na verdade, não há muito além de alguns aspectos sobre os quais eu estou decepcionado: a velocidade da compreensão de que a rede mundial é uma construção coletiva. Empresários, políticos e freqüentemente jornalistas não compreendem isso.

Pergunta - Como o senhor avalia sua invenção?

Cailliau - A web é resultado de anos de trabalho e da coragem de muitas pessoas, todos egressos de universidades e institutos de pesquisa. Os empresários freqüentemente a entenderam mal. Tomemos a bolha das empresas “.com”. A lição que tiro é que há um fosso entre o comportamento racional e humanista e o comportamento inspirado pelo desejo de fazer muito dinheiro sem trabalhar muito. Por outro lado, a web é uma ferramenta que não se deixa manipular demais: a democracia parece estar imbricada na rede. Isso irrita os espertos que querem se apropriar dela, e também os ditadores.

Pergunta - O senhor tinha idéia da revolução que a rede abriria?

Cailliau - Para a comunidade acadêmica, sim. Para a comunidade em geral, não. Me surpreendo a cada dia com os usos engenhosos de toda ordem que as pessoas fazem da web.

Pergunta - Na sua opinião, a rede causou uma revolução social?

Cailliau - Muitos sociólogos e economistas acreditam que ela concretiza a aldeia global anunciada por Marshall McLuhan. É verdade que, graças à rede, organizações mundiais formadas por poucas pessoas puderam se constituir, se agrupar como se estivessem na mesma cidade.

Pergunta - O senhor disse ter subestimado o impacto comercial da web. Por quê?

Cailliau - Não era nossa prioridade. Queríamos fornecer uma ferramenta útil e de qualidade aos pesquisadores. Foi a web que arrebatou a atenção do comércio e das empresas de telecomunicação sobre a internet, que, naquela época, em 1993, já tinha 25 anos. Foi surpreendente ver como elas quiseram se apossar quando houve a menor suspeita de que talvez fosse possível fazer dinheiro fácil.

Pergunta - A rede mundial fomentou a pirataria na internet. O que o senhor pensa disso?

Cailliau - A idéia da propriedade intelectual sempre me incomodou. De um lado, é certo que alguém que trabalha duro para criar um romance, um filme ou uma música deve poder se alimentar e viver. Logo, precisa de rendimentos provenientes dessa criação. Essa é a razão por que luto pela possibilidade de micropagamentos, que dariam remuneração direta ao artista pelo consumidor.

Pergunta - O senhor defende alguma regulamentação para a web?

Cailliau - Sim, mas por parte da comunidade mundial. É preciso uma convenção mundial sobre o tema. Há divergências demais entre blocos econômicos, políticos, religiosos, doutrinas ultrapassadas. Não tenho medo dos Estados, que podem criar normas para preservar a privacidade das pessoas e a transparência das empresas. Tenho medo é das multinacionais opacas e avarentas. Observe o MySpace, com os milhares de usuários em seus registros (ele se refere à concentração de informação individual e à invasão de privacidade). Com que direito? Leia os “termos de serviço” dessas empresas. Leia o que diz o contrato do Hotmail.

Pergunta - Qual é, na sua opinião, o futuro da rede?

Cailliau - Pessoalmente, acredito que o futuro pertence mais a uma inteligência artificial do que humana.

(Entrevista realizada por Andrei Netto, correspondente da ZH em Paris)

Com vocês o Anônimo Incógnito

Certa feita cruzei com uma animação protagonizada por esse moço. De lá, fui parar no blog desse moço. Ele me pareceu uma incógnita tal, que então resolvi entrevistá-lo:

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VTNM: Anônimo, antes de mais nada, se apresente pra quem não lhe conhece.

AI: Oi, eu sou o Anônimo Incógnito e sou tímido (põe um saco de papel na cabeça pra continuar falando), por isso me escondo na internet… Acho que você queria que eu falasse do blog, mas acho deselegante falar do próprio blog assim numa apresentação…

VTNM: Você é Anônimo porque é Incógnito, ou é Incógnito porque é Anônimo?

AI: Anônimo por parte de pai, Incógnito por parte de mãe e bonito por natureza (e infame por alguma razão que não sei a quem culpar)…

VTNM: O que você faz da vida?

AI: Eu procuro por três coisas: Uma bela donzela pura de bom coração, salvar o mundo e qualquer um que me dê atenção… Enfim, essas coisas essenciais na vida de um homem…

VTNM: Tem livro de cabeceira? Qual?

AI: O Menino Maluquinho… Confesso que não sou um ávido leitor de livros, mas esse vem da infância e carrego no coração…

VTNM: Qual a sua maior decepção?

AI: Não sei se há uma maior, até porque tenho um desapego a decepções… Mas o uso da internet - um meio que lhe garante o anonimato ao mesmo tempo que lhe concede um grande poder de voz, por grande parte das pessoas com o intuito de ataques pessoais mesquinhos, quando podia-se estar promovendo tanta coisa boa, é de se desacreditar da humanidade… Convenhamos: colocar foto de ex-namorada na internet em situação íntima (que provavelmente foram tiradas numa prova de confiança e sentimentos, que deveriam ser mútuos), e aqueles que promovem essa tentativa de desmoralização pública de uma pessoa, aproveitando-se dos preconceitos inseridos na sociedade, é de uma covardia desmedida… As máscaras caem no anonimato, e o que está se revelando atrás delas não anda se mostrando coisa muito boa… Decepção com a humanidade… (e a decepção acabou gerando a maior resposta)…

VTNM: Se você pudesse escolher entre ser vocalista de uma banda de iê-iê-iê, substituir o Jô Soares ou viajar à lua, qual seria sua opção?

AI: Acredito que, indo pra Lua, eu causaria menos estragos…

VTNM: E aí, é verdade que você vai ser publicado em livro por alguém?

AI: Estou me empenhando nisso no momendo… Acredito que novidades quanto a isso virão em breve…

VTNM: Por fim, que motivos você daria pro incauto (ou incauta) que está lendo essa entrevista se animar a clicar no link para visitar teu blog?

AI: Eu tenho um bom coração e respeito a gramática…

Aqui está o blog do Anônimo.

EXCLUSIVO: o Cansei nas palavras de uma fundadora

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Este blog teve acesso exclusivo à privacidade de D. Sorraca, uma das principais líderes do Movimento Cansei. A entrevista foi rápida porque ela estava de saída para um encontro. Confira mais uma que você só acha aqui no Vejo tudo e não morro:

VTNM: Por que foi criado o Movimento Cansei?

D. Sorraca: Porque não agüentamos mais. Cansei de toda essa gente chata, que fuma e não traga. Cansei do fedor que tem essa gente que não toma banho. Cansei dessas que ficam fazendo filhos invés de trabalhar. Cansei de demorar pra chegar em casa por causa dos baderneiros. Cansei dessa coisa de “responsabilidade social”. O que é que se ganha com isso? Perdemos noites de sono pensando como ajudar os desfavorecidos, pra quê?! Na primeira chance eles aparecem e tentam ganhar as coisas de nós na base do revólver. A juventude tá perdida. E os poucos que não estão perdidos tão… (silêncio)

VTNM: Estão achados?

D. Sorraca: Não meu filho, quero dizer é que ficam reclamando do que têm. “Ai, tá caindo o teto aqui da minha escola”… Poxa, pelo menos tem escola… Tinham que ver como era no meu tempo… Esse tal de comunismo é que está nos levando pro buraco.

VTNM: A senhora foi pobre também?

D. Sorraca: Não meu filho, eu quero dizer que no meu tempo se respeitava a vontade de Deus. Nos contentávamos com o que tínhamos. Se nas férias não podiamos ir até a França, mas sim só até a Espanha, não protestávamos. Erámos jovens que sabiam o seu lugar… (suspiros)

VTNM: Ok, D. Sorroca. Não tomarei mais o seu tempo. Por fim, só mais uma pergunta: o que a senhora pretende com o Movimento Cansei?

D. Sorraca: Conquistar um mundo onde possamos aproveitar o pouquinho de conforto concedido pelos céus em paz. Não quero mais pagar segurança, ou vigiar pra que os párias não se adonem do que é meu. Que cada um conquiste o seu, pombas!

PS.: outros líderes intelectuais do Movimento Cansei estão sendo duramente perseguidos pelo cruel Estado brasileiro. Confira aqui uma dessas tristes histórias.

[Atualização - 17/8]

Os desordeiros já estão organizando movimentos de facismo contra o Cansei e seus honrados líderes. Aqui podemos ver um petrardo da calúnia.

Em resposta a estas manobras caluniadoras e vis, homegeamos aqui os demais líderes intelectuais do cívico e honrado Movimento Cansei:

Adriana Lessa
Agnaldo Rayol
Amália Rocha
Ana Maria Braga
Beatriz Segall
Caio (futebol)
Carlos Alberto de Nóbrega
Christiane Torloni
Eduardo Araújo e Silvinha
Enza Flori
Fernando Scherer (o “Xuxa”)
Goulart de Andrade
Hebe Camargo
Irene Ravache
Ivete Sangalo
Jair Rodrigues
Lars Grael
Leo Jayme
Luana Piovani
Mayara Magri
Moacyr Franco
Osmar Santos
Paulo Vilhena
Regina Duarte
Sérgio Reis
Seu Jorge
Silvia Poppovic
Tom Cavalcanti
Torben Grael
Victor Fasano
Wanderlea
Zezé Di Camargo

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