Arquivo para a categoria 'história pra contar'

O que é ruim nunca acaba

Poisentão: se este blog fosse bom, relevante, genial e imprescindível, é bem provável que de repente findasse. Esse é o destino de quase tudo o que é bom. As coisas medíocres é que tendem a permanecerem ativas indefinidamente. E tal é o caso deste blog. Na próxima quarta completaria-se um mês desde meu último post aqui. Fui sugado pelo ralo do final de semestre, abiduzido pela nave-mãe dos textos repletos de aspas — agradeçam à faculdade por ela ter me impedido de escrever aqui nas últimas semanas. Porém, já foram concluídos todos os experimentos com a minha pessoa. Após me virarem do avesso e fazerem perguntas estranhas, concluiram que sou apto a encerrar o semestre e me devolveram aos afazeres do cotidiano. Cá estou, então, diante do WordPress e de um Google Reader onde diz que há mais de 3.000 feeds não lidos.

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Nunca me reconheci como nerd geek. E, creio, sinceramente, que não o seja. Porém, observei duas coisas à respeito de mim mesmo nessa última semana que apontam o contrário: primeiro, um colega ficou espantado por ver que carrego onde vou meu próprio Firefox 3 dentro dum pendrive* — fez uma cara de quem pensa “porra, mas tu é nerd hein!”; depois, auto-flagrei-a-mim-mesmo locando a segunda temporada do Arquivo X, outro elemento explicitamente nerd. Para completar, como se já não bastasse minha inquietação, li esse post hoje, que me deixou com uma pulgona atrás da orelha. Tomara que eu não entre numa crise existencial.

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Tenho uma certa implicância, digamos, com os pós-modernistas. (Talvez perceba-se melhor isso lendo minha última coluna puclicada lá na Malagueta.) Esses pós-pós-tudo não pagam imposto para cometer ridicularidades. A última: “Ronaldinho Gaúcho é um jogador pós-moderno”.

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Neste mês de julho o blog faz aniversário: um ano de ruindade no ar. 157 posts e 686 comentários. Pretendo me esforçar durante mais um ano ainda para manter o padrão de mediocridade daqui. Inté!
(*) Quer ter o teu Firefox portátil também? É só baixá-lo no portableapps.com e meter no teu pendrive ou mp3 player (com todo o respeito, obviamente).

Paradoxitozinho

O que torna alguém mais famoso do que ganhar um Prêmio Nobel?

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Recusá-lo.

O dia em que Maluf prendeu Lula e FHC foi libertá-lo

Às 6h da manhã do dia 19 de abril de 1980, o DOPS — cumprindo ordem do então governador Paulo Maluf — prendeu o então metalúrgico Lula. Fernando Henrique Cardoso foi um dos políticos brasileiros que mais atuou para obter a soltura do nosso atual Magnânimo Alcaide.

O mundo gira. E como.

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Injustiçado

A década atual é rica de efemérides; celebra-se uma patavina de acontecimentos dos anos 50, 60 e 70. Mas nunca vi homenagearem um personagem imprescindível do século XX: o transístor!

A engenhoquinha foi apresentada ao mundo em 16 de dezembro de 1947 e começou a ser empregada industrialmente nos anos 50. O busílis desse troço? Ele simplesmente substituiu as válvulas termoiônicas, que eram menos eficientes e muito maiores (acabando com a época em que o rádio tinha de “esquentar” para começar a funcionar). Grande coisa? Há!, bobão, sem transístor não haveria tevê de massas, toca-discos, roque em rou, Beatles, amplificadores, revolução cultural e sei lá mais o quê. Sem transístor você nem poderia powerpointar-se ou conhecer os fetiches do Milton, simplesmente porque não haveria PC’s, web e o escambau. Portanto, da próxima vez que você ouvir alguém falar da “revolução da informática”, não te acanha, tetrarca, e tasca neles: que nada, genial mesmo foi a porra do transístor, pô! Tran-sís-tor, ouviu?

Como Lobão e Lulu Santos assustaram o Faustão

Lula e as mulheres

A liderança de nosso Alcaide Supremo, sr. sapo barbudo, é um fenômeno a ser compreendido. Dizem que é o bolo Lula: quanto mais bate, mais cresce. O certo é que nunca soube de um presidente pós-milicos que tenha sido tão amado pelas mulheres (Collor conta?). E também é certo que nunca soube de um candidato que ganhou declaração de apoio em pleno Domingão do Faustão. Não uma, mas duas declarações.

Primeiro foi o Lulu Santos, que, na maior cara dura, durante a eleição de 89, cantou o jingle do lula-lá em apresentação ao vivo no programa do gordo simpático (nosso apresentador, por sinal, ficou atônito):

Depois foi a vez do Lobão fazer o mesmo, na mesma eleição; mas o fez com MUITO mais ousadia. O cabeludo, que também fazia uma apresentação ao vivo — e bem no domingo da votação — não hesitou, mandou ver e ainda tirou um sarro da Globo (nosso apresentador, por sinal, ficou muito mais atônito):

Deve ser por esse tipo de coisa que, hoje em dia, programa de auditório é só com playback.

Proposta para a destruição do sexo masculino

valentine.jpg Em junho de 1968, Andy Warhol — pai da pop-art e autor da frase “no futuro, toda a gente será célebre durante quinze minutos” — foi atingido por um tiro que quase o matou. A autora dos disparos chamava-se Valerie Jean Solanas (foto ao lado), uma feminista ultra-radical, que, após ser presa, declarou o seguinte: “Eu considero isso um ato moral. Imoral foi eu ter errado. Deveria ter treinado mais.”

Essa moça escreveu um livro conhecido como S.C.U.M. Manifesto (Society for Cutting Up Men), publicado nesse mesmo ano de 68. Ela tinha “algumas desavenças” com o sexo masculino, digamos. As primeiras palavras do seu livro diziam:

Hoje é tecnicamente possível reproduzir sem a ajuda dos macho (e, aliás, das fêmeas) e buscar o nascimento de fêmeas, apenas. Precisamos começar a fazer isso imediatamente. Conservar o sexo masculino não tem sequer o objetivo incerto da reprodução. O macho é um acidente biológico: o gene Y (macho) é um X (fêmea) incompleto, ou seja, tem um conjunto incompleto de cromossomos. Em outras palavras, o macho é uma fêmea incompleta, um aborto ambulante, mutilado no estágio de gene. Ser macho é ser deficiente, emocionalmente limitado.

Valerie foi estudante brilhante, prostituta, lésbica e atriz. Conquistou adeptas no movimento feminista, por mais que a maioria das mulheres ativistas de então a tenham repudiado. Morreu em 1988, tão enlouquecida como quando nasceu.

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Hoje, após ler esse post do Marmota, me veio a dúvida: o que ela e as milhares de feministas dos anos 60/70 diriam da fotografia abaixo?

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Valentine estava mesmo equivocada. Ser mulher (assim como ser homem), não é garantia de coisa alguma.

Para que não esqueças, para que nunca mais aconteça

Hercólubus vem aí! Cuidado!

Semanas atrás encontrei no ônibus uma amiga que não via há bastante tempo. Quando a conheci era feminista e marxista. Hoje virou uma espécie de neo-hippie — papos mil sobre rango integral, meditação, viver no mato e etc. Lá pelas tantas, me diz que tudo vai mudar radicalmente no mundo em 2012. “Como assim?”, pergunto. Ela fala, sempre genericamente, em drásticas transformações. “Tudo vai mudar”, me repete por várias vezes. Digo “ahã” e me mantenho quieto, tentando evitar o riso e pensando em alguma coisa para dizer. Não penso em nada que não seja deboche. Melhor ficar quieto mesmo.

rabolujovem.jpg Já havia esquecido desse episódio, até que hoje chegou em minhas mãos um marcador de página que propagandeia o livro Hercólubus ou O planeta vermelho, de autoria dum colombiano chamado V. M. Rabolú (o cidadão aí da foto ao lado). Nele há trechos da obra: “A única esperança para escapar do cataclismo que se aproxima é praticar o que ensino neste livro.” “Isto sabem-no os outros mundos do nosso sistema solar e há grande afã deles por nos prestarem uma ajuda para evitar o cataclismo.” Meu absurdômetro marcou tão alto que resolvi consultar deus sobre o assunto. Descobri então que esse tal de grande cataclismo está marcado para o ano da graça de 2012! Rabolú, que é referenciado por seus seguidores como “mestre”, afirma existir em nossa galáxia um planeta chamado Hercólubus, e que ele se encontra em franca aproximação da Terra. Parece que esse planeta vai e volta constantemente, pois, segundo a doutrina, ele (o planeta invisível) teria sido o responsável pelo desaparecimento da mítica civilização de Atlântida! A tese, que conquistou a adesão dessa minha amiga, afirma que em 21 de dezembro de 2012 a “atual aproximação” vai se concluir, e vivenciaremos suas conseqüências: fome, pestes, terremotos, alagamentos e outras coisas nefastas. Entre os adeptos do negócio, chega-se a discutir se o tsunami de 2004 teria sido ou não um sinal do grande cataclismo a ser provocado por Hercólubus…

Então, você vai aproveitar pra fazer o que até 2012, hein? Mas não te desespera muito, pois, segundo esse vídeo, ainda “há uma chance”. Para isso basta “amar-nos uns aos outros”, porque daí os seres extraterrestres que observam a humanidade virão nos salvar…

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O assunto é tão cativante que há até um mega filme sendo produzido sobre o tema. Confira o trailler:

Teoria do gato flutuante

Recebi por e-mail. O raciocínio lógico é i-m-p-r-e-s-s-i-o-n-a-n-t-e. Clique na imagem para ampliar.
gato.jpg

Nossas águas de março alegram mais que a dos outros

 

aguasdemarco.jpg

Mário de Andrade, um dos maiores loucos de cara do qual já tive notícia, dizia que não gostar de calor era de uma insensibilidade cruel. Talvez o seja, realmente. Esses tais prazeres do calor devem ser tão tênues e singelos que pobres mortais como eu não os compreendem — aliás, sequer os percebo. O que sempre aguçou os meus sentidos e alegrou meu espírito foi o frio. Talvez essa seja uma característica intrínseca à minha condição de gaúcho. Para esse povo, as temperaturas baixas são tão importantes na formação do caráter que há, inclusive, elaborações sobre uma anunciada estética do frio. Até conheço gaúchos e gaúchas que preferiam migrar daqui no inverno, mas muitos (a maioria?) — e esse é precisamente o meu caso — sentem uma espécie de empolgação quando as famosas águas de março se dirigem para o fim, pois esse é o prenúncio oficial do outono.

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frio-2.jpg O genioso Borges associava temperatura baixa a uma maior produtividade mental — pensa-se mais e melhor sob o frio do que sob o tórrido calor tropical. Júlio Emílo Braz me disse, certa feita, que não conseguia concentrar-se devidamente para escrever nos dias de impiedade do mormaço carioca. Apesar de sim, sentir-me muito mais predisposto à ler e escrever sob temperatura menor, prefiro não endossar muito esse discurso a partir do momento em que ele enveredar para alguma espécie de determinismo geográfico — algo do tipo: “os povos situados à linha do Equador são uns bárbaros; eruditos somo nós, que temos o frio”. Porém, mesmo correndo tal risco, me é impossível evitar a exaltação da superioridade do frio. Nada se compara a essa melancolia alegre (?) que sentimos quando o frio começa a nos cercar. Eu, pelo menos, me sinto assim na condição de seguidor da escola borgiana de prazeres do frio. Nutro profunda devoção pelo vento que sacode as coisas, pelas folhas secas que caem, pelo agasalho extra para sair de casa, pela fumaçinha branca que expelimos da boca, pela inenarrável sensação de bem-estar. O frio é, no mínimo, muito mais aconchegante: nenhuma das “grandes histórias clássicas de amor e paixão” do mundo ocidental acontecem no verão. Podes pesquisar.

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