Havia prometido este post sobre minha primeira visita à 6ª Bienal do Mercosul (que acontece de 1/9 a 18/11). Pois bem, para não escrever vinte mil laudas que ninguém terá saco de ler, resolvi comentar apenas uma das várias obras de que gostei. Mas vou me esforçar para fazer toda semana um drop sobre a Bienal, ok? E lá vamos nós:
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A Lot(e) - 2006 - Nelson Leirner - Brasil
Leirner é um artista polêmico. Busca provocar indagações no público e, para isso, se vale de estratégias estéticas que produzem estranhamento e espanto. Em A Lot(e) não é diferente.
Os Estados Unidos, suas guerras e seu ideário nacional já serviram de tema para inúmeros trabalhos. A instalação de Leirner, porém, é bastante original. Nela, o artista apresenta diversas alegorias que promovem em nosso imaginário reflexões sobre os papéis exercidos por ícones muldialmente conhecidos. Vemos, por exemplo, a cabeça da Minnie Mouse em corpos de anjos e santos (foto nesse post); Pato Donald, Pateta e Tigrão hasteando bandeiras norte-americanas; o Superman encarando quem entra - atribui-se funções ideológicas aos personagens, desconstruindo as emoções que usualmente associamos a eles. Assim o autor escancara que todo personagem é construção social, não sendo imúne, portanto, a portar e transmitir determinados valores morais, políticos e/ou ideológicos.

Também encontramos na obra dezenas de bonecos armados “combatendo” protagonistas da história religiosa cristã - Jesus Cristo, Virgem Maria, São Jorge e outros. É uma disputa entre o “poder dos homens” e o “poder dos céus”. Outra leitura possível seria a de que os mais poderosos do planeta não temem enfrentar nada…


Enfim, não vou me alongar mais pra não abusar da paciência de ninguém. Basta dizer que A Lot(e) é muito mais rica em alegorias do que as comentadas aqui. Portanto, considerando que a experiência real é sempre superior a qualquer teorização, duvide de mim e do que eu disse. Desligue o computador e vá conferir de perto as subversões de Nelson Leirner. Isso se você estiver em Porto Alegre, claro.
PS.: Esta instalação está exposta no armazém A5 do Cais do Porto.




