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Repulsa ao sexo

Este é o horrendo nome com que Repulsion (1965), filme escrito e dirigido por Roman Polanski, foi lançado no Brasil. Mas, se você relevar esse insulto, vais encontrar um filme espetacular.

No que tu pensa quando se fala em anos 60? Drogas, sexo livre, pílula-pra-não-engravidar, música irreverente, juventude libertária, lisergia e… ããããã… sexo livre; certo? Pois em plena metade dessa celebrada década, Polanski fez um filme na contramão de tudo isso. Em Repulsion há uma jovem (Chaterine Deneuve) que bem podia estar no elenco de Hair. Mas só à primeira vista. Carole, a personagem central da película, é uma adolescente beirando a carolice (com o perdão do trocadilho). Não se interessa por iê-iê-iê, não é libertária; muito pelo contrário, tem ojeriza pela idéia de alguém possa tocar seu corpo. Detesta a idéia de sexo, possui verdadeira fobia. Repulsion mostra uma autêntica esquizofrenia tomando forma vagarosa e paulatinamente. A atmosfera do filme é sufocante — desaconselhável para quem não encara bem a psicologia de alguém que se auto-destrói por medo.

Para além do enredo, Repulsion também merece elogios por seus aspectos técnicos. Algumas das melhores possibilidades de uma fotografia preto e branco estão ali. A câmera não é o que se pode chamar de inovadora, mas é contundente o suficiente para criar tensão no espectador. A trilha, de boa qualidade. A edição, precisa. Repulsion é um suspense belo e que não precisa recorrer ao escatológico para ser tenso. Ótimo filme, crianças. Bom mesmo.

Um trecho:

“Você vê meu reflexo, mas este não é um filme de reflexão”

 

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Assisti na segunda-feira O Grande Chefe (2006), película do dinamarquês Lars von Trier, diretor e roteirista sagaz (para se dizer o mínimo). Surpreende o fato de ser uma comédia, gênero inédito na filmografia do nosso diretor. E, apesar de von Trier — que faz às vezes de narrador — prometer logo no início uma “comédia inofensiva”, o que se vê continua inscrito na carecterística maior da sua obra: explorar e espezinhar o sórdido do ser humano.

Imagine um gerente que se comporta como um verdadeiro “ursinho fofo”: sempre amável com os colegas, sempre disposto a ajudar, sempre prestativo. Agora imagine um “big boss” insensível, capitalista até a raíz, capaz de torturar psicologicamente seus subalternos sem demonstrar qualquer tipo de dó ou piedade. Agora descubra que ambos são a mesmíssima pessoa. von Trier é isso: contradições expostas sem clemência. N’O Grande Chefe temos mais desse mesmo — mas não confunda isso com de falta de originalidade.

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PS.: que vontade danada de viajar para conhecer o mundo — como se faz isso?

A culpa é do Fidel

culpa-e-do-fidel-poster01.jpg Não. Não é um post sobre a renúncia do camarada Castro. A culpa é do Fidel trata-se de um bom filme resenhado por Raquel Langenbach na Revista ParadoXo.

Leia a resenha.

 

 

 

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Vida inteligente em Hollywood

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Aquela greve dos roteiristas estadunienses ainda não acabou. Na tevê dos EUA, chovem reprises. E parece que as negociações vão reiniciar — o que é uma pena, pois essa greve está gerando manifestações mui criativas. Desde o final do mês passado, atores, atrizes e diretores começaram a estrelar curta-metragens de solidariedade ao movimento dos colegas de estúdio. Logo, a coisa virou uma poderosa campanha virtual que está fazendo muito sucesso. Já existe até um site próprio para reunir os videos, chama-se Speechless.

Algumas pérolas surgiram, como é o caso desse:

Mas o melhor que assisti até agora é o criado pelo Woody Allen. Tão genial quanto simples:

A teoria do professor Valadares

Estréia dia 7/12 a nova produção da Casa de Cinema de Porto Alegre: 3 eFes, obra com roteiro e direção de Carlos Gerbase.

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Segundo o professor, a humanidade é movida por três nada virtuosos apetites: Fasmo, Fome e Foda. Veremos uma película que se esforçará para comprovar a tal tese — nossas vidas são determinadas pelo modo como conjugamos esse tripé moral. 3 eFes é, segundo o site oficial do filme, uma comédia dramática sobre pessoas que enfrentam dilemas éticos comuns a qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo.

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Um bom filme? Não faço a mínima idéia. Mas será bem fácil descobrir: a partir do dia 7 ele estará todinho disponível na internet, de barbada! (Em gaúchês, de barbada corresponde a de graça.) Isso mesmo, prezado/a incrédulo/a. Você não vai precisar correr ao cinema para pegá-lo antes que saia de cartaz tão rápido quanto entrou… Esse será o primeiro filme brasileiro lançado simultaneamente em quatro mídias: internet, vídeo digital (para salas de cinema), DVD e televisão (via Canal Brasil). Eu, obviamente, vou aproveitar da maneira devida esse avanço no comportamento da indústria cultural tupiniquim — assistirei na web, seguindo o link oficial, sem desembolsar um só pila (pila é a moeda oficial do RS, e atualmente está em paridade com o Real).

E não param por aí as peculiaridades: segundo essa matéria d’O Globo, o filme custou só R$ 40 mil — uma ninharia no mundo da produção audiovisual. Aliando baixo orçamento a distribuição ousada, massiva e inavadora, Gerbase acredita estar contribuindo com medidas práticas para solucionar a questão da pirataria. O espectador interessado não precisará necessariamente recorrer ao camelô uma vez que tudo estiver na rede. “Mas donde vai sair o lucro do moço?!” Gerbase aposta nas magras bilhetrias do cinema e na venda do DVD (R$ 29,90) para cobrir os custos. Segundo ele, esse sistema pode ser rentável porque la plata vai direta e integralmente para o bolso dos realizadores, sem divisões de percentuais com distribuidoras. É ver para crer. Quem sabe não estamos presenciando uma mudança significativa em nosso cinema?

[atualização em 8/12] Conforme prometido, o filme está disponível por streaming no Terra. CLIQUE AQUI para assistir.

[atualização em 12/12] 3 eFes está inovando também no marketing, vejam a sacada genial que a Camila registrou. E leiam as críticas de Luiz Zanin e Sérgio Rizzo, ambas indicadas pelo Lucas Pretti.

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O trailler:

Marina Person melhor do que na MTV ou na Playboy

person.jpg Assim como o Chico, também fui assistir Person (2007) receoso de encontrar um filme ruim. O documentário retrata a obra e vida de um grande cineasta brasileiro, hoje obscuro, chamado Luís Sérgio Person. Confesso o meu preconceito: não esperava que a VJ Marina Person, diretora do longa, fosse capaz de tanto — mesmo se tratando de um filme produzido para homenagear o próprio pai. Tá certo que o filme não é a sétima maravilha, mas, por outro lado, é bom o suficiente para merecer mais atenção do que tem recebido até o momento. Primero, porque é um obra importante para a história do cinema nacional, resgata muitas imagens antigas e “relança” para o público duas películas importantes realizados pelo pai da moça: São Paulo Sociedade Anônima e O caso dos irmãos Naves. Segundo, porque divulga o nosso audiovisual dos anos 60/70 que não se enquadrava no esquema do Cinema Novo, mas que também não era pornochanchada. Person repudiava o experimetalismo de Glauber Rocha e cia. E o fazia dizendo que a turma revolucionária do Neorealismo estava equivocada pois não havia uma revolução-prestes-à-acontecer no Brasil. Hoje essa é uma análise óbvia, mas, para quem era de esquerda durante a ditadura, esse entendimento era muito difícil e o Person foi capaz de antevê-lo. Genial.

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Espezinhando o meu preconceito: quem vê a Marina Person apresentando um programa de auditório ultra-clichê e bem bobinho sobre guerra de sexos na MTV, não imagina que ela seja capaz de tanta inteligência e sensibilidade — eu fui um desses. Li sobre a existência de uma horda que deseja ver a Marina nas páginas da Playboy. Ora, playboy’s existem aos montes já. Quero é mais filmes da Marina. Aliás, atualmente ela está produzindo o seu primeiro longa de ficção. Esperemos então.

José “Tropa de Elite” Padilha - entrevista no Roda Viva

 

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Ontem assisti a entrevista com o diretor de Tropa de Elite, José Padilha, no Roda Viva. Procurei por um bom tempo hoje o programa upado na internet e não achei. Uma pena, pois assistir àquela entrevista é fundamental para discutir o que talvez seja o filme brasileiro mais comentado de todos os tempos. 

Erro primário

Respondendo uma fala sobre a glorificação da violência supostamente promovida pelo filme — em especial pelo personagem Capitão Nascimento — Padilha disparou, de início, um tiro de inteligência (o primeiro de muitos que se seguiram): é um erro primário confundir a opinião do personagem com a do autor. Mesmo assim, Ancelmo Góis, aspirante a provocador que é, cutucou: “se você fosse membro de um júri que estivesse julgando o Capitão Nascimento pelos crimes que cometeu, absolveria ele ou daria trinta anos de cana?”. “Condenaria. Sem dúvida.”, respondeu Padilha. “O filme não é sobre mocinhos e bandidos. Olha só, eu acredito que as pessoas fazem escolhas de acordo com as possibilidades que tem. E quais são as opções que um policial pode fazer hoje? Ou se corrompe, ou se omite ou vai pra guerra. A guerra é a opção do Capitão Nascimento. Mas isso não significa que eu concorde com essa opção ou com as outras duas.” 

Fascismo ou Uma guerra sem vencedores 

Boa parte da entrevista girou em torno da discussão sobre se Tropa de Elite é fascista ou não, pois, para muitos, a película tenta justificar moralmente a tortura e o extermínio. Padilha, em dado momento, chega até a ironizar: quando ele fez Ônibus 174, filme sobre a história de Sandro Nascimento, foi acusado de ser radical de esquerda porque “humanizou” o bandido. E agora o acusam de ser radical de direita por “humanizar” policiais assassinos. Aliás, quando fez essa comparação, o diretor chamou a atenção para o nome dos personagens: não é coincidência o Capitão chamar-se Nascimento, mesmo sobrenome de Sandro. “São dois filmes que narram a mesma realidade sob perspectivas diferentes, e nenhum deles possui um herói. Quando fiz o 174 tentei apresentar as motivações do Sandro, tentei reconstruir a psicologia dele, o que o movia. A mesma coisa eu fiz com os policiais do Bope. Pesquisei muito sobre isso, conversei com vários oficiais do Bope. O que o filme mostra são as razões e as crenças deles, não as minhas. Culpar o meu filme é como você colocar um termômetro, não gostar da temperatura registrada e quebrá-lo — só que problema não está no termômetro! Torturar e assassinar uma população miserável é um problema? Evidente que é! Só que eu não fiz um filme para mostrar as coisas com as quais concordo e as coisas das quais discordo. Fiz o filme pra retratar uma realidade que acontece todo dia.” 

O não-óbvio 

Como tem gente que se apressa em carimbar as coisas! Pode-se fazer diversas críticas negativas a Tropa de Elite (ainda farei elas dia desses), mas o que não se pode é fazer a crítica de um autor sem contextualizar suas obras e os objetivos traçados ao longo de sua carreira, como bem disse Arthur Nestrovski. José Padilha demonstrou ontem à noite que Tropa de Elite é um capítulo inscrito num plano maior: incitar as pessoas a conhecerem o seu próprio lado feio. Afinal, se “apaixonar” por um Nascimento, seja ele o Sandro ou o Capitão, deve dizer alguma coisa a respeito de nós mesmos…

 

Ainda sobre esse assunto, pode-se discutir outros três aspectos coligados: miséria, tráfico e pirataria. Padilha defendeu com igual eloqüência suas opiniões sobre estes temas. Porém, nesse campo mais discordei do que concordei com ele em vários aspectos — principalmente no que diz respeito a postura dele perante a pirataria e as justificativas que aponta para explicar a miséria. Só que isso fica pra depois, afinal, já tá enorme o post.

PS: para adiantar o assunto: ele realmente não tem medo de bicho-papão ou cara feia; Padilha tocou na ferida brasileira quando disse que, sim, é a favor da discriminalização das drogas. Taí um cineasta de quem vamos ouvir falar por anos ainda.

PS2: as cenas de tortura foram feitas com a presença de soldados do Bope no set. Eles orientavam como tinha de ser feito…

O bizarro The Lawnmower Man

Antes de Second Life, bem antes, existiu isso.

Acho que é o primeiro filme geek no úrtimo:

The Lawnmower Man (1992)

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O filme registra a primeira vez em que se usou realidade virtual pra valer no cinema. É tão doido que Stephen King, autor de um conto que inspirou a película, entrou na Justiça para exigir que seu nome fosse removido dos créditos.

[atualização - 29/9]

Gilberto Knuttz, do ótimo Uêba, deixou um comentário alertando que o primeiro filme a usar realidade virtual foi o Tron (1982), produzido pela Disney. E não é que é verdade? Fiz esse post baseado em informação repassada por outra pessoa. Então, publiquei sem nem checar antes. Deu no que deu. Passei um baita constrangimento por ter dado informação equivocada. Abaixo está o trailer do que é, verdadeiramente, o primeiro filme a usar realidade virtual:

Confesso que achei The Lawnmower Man muito melhor, pois explora as potencialidades da RV num patamar bem superior ao visto em Tron.

É isso aí, vivendo e aprendendo. Valeu pela dica, Gilberto!

 

A tese “tarantinesca”

Um curta-metragem brasileiro está fazendo sucesso entre os fãs do cineasta norte-americano Quentin Tarantino: é O Código Tarantino. Estrelado por Selton Mello e Seu Jorge, o curta produzido pela Republika Filmes apresenta a tese de que os roteiros de Pulp Fiction, Kill Bill, Cães de Aluguel, Eles matam nós limpamos, Um drink no inferno e Amor à queima roupa na verdade são um só filme divido em várias partes…

Benjamin, filme para os sem-preguiça

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Benjamin Z., que não se lembra de alguma vez ter morrido em sonho

 

Modelo fotográfico. Maio de 68. Cantagalo. Rio de Janeiro. Sartre. Apartamentos vazios. Os milicos. Elvis Presley. Lapsos de atenção. Punição. Revanche. Renúncia.

Misture tudo isso e temos Benjamin (2004), um filme de Monique Gardenberg, que assina o roteiro junto com Jorge Furtado e Glênio Póvoas. A história é baseada num romance homônimo do Chico Buarque publicado em 1995.

Há quem tenha achado o filme uma bela porcaria. Eu gostei. Tá certo que não é um BAITA filme, mas também não é o ó do borogodó. O principal alvo da crítica é o roteiro: o resenhista diz ser mal costurado, cheio de buracos. Isso porque os flashbacks do personagem e a narrativa se sucedem sem grandes preocupações de explicar tudo em miúdos. Mas ora, ora, e desde quando precisamos saber de tudo necessariamente? Imaginar o desenrolar das vidas entre uma e outra ação pode ser justamente o busílis da coisa, o que dá prazer. Tem que deixar alguma coisa pro leitor, disse dias desses o Pai Cardoso. E pro espectador também. Gosto de assistir filmes e não palestras romanceadas. Se você quer uma história bonitinha com início, meio e fim bem delineados, vá assistir Harry Potter. Benjamin não é para quem tem preguiça de ficcionar.

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