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Habeas corpus para Daniel Dantas

Daniel Dantas

<breve intervalo na programação normal>

Em menos de 24h após a petição, onze pessoas consiguiram sair da cadeia por ordem do Sr. S. T. F.

Se tua intenção — ou a minha — fosse a de desejar “bom dia” para o presidente do Supremo, esse empreendimento dificilmente nos seria possível em menos de um único dia. Mas esses daí conseguiram um habeas corpus em menos de um dia, pô; e com direito a responsa assumida na moral pelo sr. Gilmar Mendes.

PS: Se o Idelber tivesse ariscado um palpite sobre quando seria a soltura do Dantas-o-Supremo-tá-na-mão, ao menos teríamos nos divertido com o anúncio.

PPS: reconheça-se o mérito de Mino Carta, responsável pelo único canal da chamada grande imprensa que foi incansável em não deixar Daniel Dantas sair de pauta.

</breve intervalo na programação normal>

“Eu só me fodo nessa porra”

Os comentaristas especulam que em 1619, ano de sua “iluminação”, Descartes já dominava com maestria a “arte dos números”. E se sabe, graças a uma carta a seu amigo Beeckman, de Amsterdã, que em abril de 1619 Descartes encontrou-se “com um erudito que afirmava poder empregar um método retirado de Ars Parva de Raymond Lull de modo tão bem-sucedido que ele seria capaz de se pronunciar por uma hora sobre qualquer tema. Lull foi um autor do século XIII que escreveu sobre a ciência universal.” (SORELL, 2004, p. 17) Esse encontro certamente influenciou sobremaneira o francês, de modo que meses depois ele anunciaria haver compreendido sua “destinação intelectual”. Nascia uma síntese - com contundentes implicações metafísicas - entre a possibilidade de uma ciência geral e o método matemático; eis a contribuição decisiva que Descartes legou à filosofia moderna.

Uma (custosa) parte do meu trabalhão para a cadeira de filosofia.

Baita fim de semana divertido o meu, né não?

PS: o título apelativo do post é uma clara referência ao desenho mais escatológico que há (vai que alguém não sabe, né não?).

A reciclagem está acabando com a missa de domingo

Já fomos um país muito mais cristão do que hoje. O mundo inteiro, aliás, já foi mais cristão do que o é agora. E, quando o nosso mundo era dessa maneira, uma das coisas mais importantes era a bendita missa de domingo. Não se tratava de qualquer missa, era um evento dos mais cruciais — talvez perdesse em importância somente para as de sétimo dia ou as de corpo presente. Nessas ocasiões, não se cumpria somente um ritual da socialização. Ali, no terreno sob domínio da retórica padresca, consumava-se a redenção das consciências pesadas. As miudezas pecaminosas (bem como as grandezas) do dia-a-dia classemediano eram extirpadas entre um amém e outro. Assista uma missa e ganhe grátis a incrível sensação de alívio na consciência — esse poderia ter sido o slogan, a agência do Vaticano deu bobeira.

Acontece que, sabe cumé, né, esse trem danado que é o planetinha, gira. O catolicismo, que assegurou tanta coisa à tanta gente durante tanto tempo, perdeu gás. Um pesado esqueleto no armário (a dona Inquisição) e uma teologia hermética demais para um mundo de dinâmicas mais intensas que outrora, arremeteram a missa de domingo e todo o resto para um crescente ostracismo-que-precede-a-desimportância. Mas, se é assim, o que restou capaz de distribuir consciência leve por aí? Restou a Ecologia, meu bem. Separe o lixo, não jogue papel no chão, evite os aerosóis e… pronto!, aquela sensaçãozinha de consciência leve já comparece. Vai lá, experimenta você mesmo. Deixa de ter vergonha e experimenta. Viva um dia “ecologicamente correto” por inteiro e perceba como sentir-se-á muito bem à noite. Aquele sentimento de dever cumprido vai te invadir; pode crer. E vais perceber também o quanto isso se torna um vício. Não há coisa mais reconfotante do que assistir notícia sobre aquecimento global (acompanhado do inerente fim do mundo, preferencialmente) e poder pensar: minha parte tô fazendo; então, ó, não é comigo a coisa (qualquer semelhança com movimentos de bloguinhos bonitinhos e socialmente responsávelzinhos é mera coincidência). Se é verdade que existe a porqueta da pós-modernidade, então taí mais uma conquista pro rol dela: inventou o engajamento egoísta.

PS: este post existe por causa do que o Bruno escreveu — o título, inclusive, foi concebido primeiramente num comentário lá.

PS2: este post existe também, de certa forma, por causa da saída dela — uma frouxa, por sinal, porque saiu se esquivando de dizer a verdade, de denunciar pra todo mundo qual foi a gota d’água (um grandissíssimo crime, registre-se).

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A classe média faz o discurso, mas vejam quem é que põe a mão na massa da reciclagem pra valer.

Era verdade

Quando era criança, essa coisa consistia numa possibilidade não muito confirmada, do tipo “talvez aconteça”.

Não sou geek, esse não é um blog geek, mas nada disso impede de me espantar com isso:

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Virtusphere

É uma esfera de simulação, onde, através do capacete, você poderá “submergir-se numa experiência de entretenimento simulado, exercício e jogo em simultâneo, como você nunca viveu antes”. Sim crianças, lembram aquele tal papo sobre realidade virtual? O bixo é pra valer mesmo (por mais que realidade virtual seja um nome pra lá de contraditório :P).

Esta esfera pode rodar em 360º e permite uma grande liberdade de movimentos ao usuário. Experimente dar socos, pontapés, correr, saltar ou rodopiar sem nenhum tipo de obstáculo físico, apenas os que encontrar no cenário de simulação. Entre numa forma de interagir com os computadores e conheça sensações que nunca pensou poder experimentar.

A engenhoca é atração no Campus Party Brasil.

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Há um vídeo que ilustra melhor como funciona o brinquedo:
Atualização: se tu te liga no Campus Party, uma boa cobertura blogueira pode ser encontrada no blog da Vanessa Nunes.

 

 

O bom senso adverte: Mutantes pode matar

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Poderia ser eu na foto acima
Ontem, pela segunda vez, quase fui atropelado no trânsito selvagem de Porto Alegre. Meu player de mp3 berrava um Mutantes bem alucinado em meus ouvidos. Se o carro não brecasse, eu teria me ferrado. Na primeira vez em que quase fui atingido, também escutava os mesmos Mutantes. Eles são letais, meu bem. Letais.

(A imagem é uma campanha publicitária da Austrália, que conheci no Bicho da Goiaba, via o del.icio.us do Marmota).

Nem a AP poupa o pop e seu “efeito Britney Spears”

Esse memorando equivale a dizer: atire no que se mexer!

Garota, eu vou pra Antártida!

O ano é 2050, e Bill Nash desdepe-se de sua garota. Depois vai entrar num avião e viajar sete horas até um campo de extração de petróleo, no qual trabalha durante seis meses por ano.
Que o buraco na bendita camada de ozônio cresce, todo mundo sabe. Esse fenômeno, aliado a outras ocorrências, chamamos de aquecimento global. O aumento da nossa temperatura derrete o rico gelo da Antártida (ou será Antártica?), gerando elevação do nível do mar. Uma tragédia, uma ecatombe, um drama — estamos destemperando o clima do planeta. Mas, acreditem, há quem esteja “contando as horas” para ver o gelo do pólo sul derreter.
É muito provável que existam milhares de Bill’s Nash’s daqui há três, quatro décadas. Acabando a cobertura de gelo, o único continente do mundo sem governo, regime político ou povo, pode transformar-se num imenso baú de riquezas naturais, protegidas por temperaturas baixíssimas ao longo dos últimos 15 milhões de anos. Petróleo, gás natural, ouro, xisto e carvão são alguns dos minérios que já sabe-se existirem nas profundezas do solo antártido.
Somando 1+1
Após as previsões catastróficas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas serem anunciadas no ano passado, a Inglaterra declarou que pretende assumir a soberania de mais de um milhão de quilômetros quadrados do solo gélido. Em seguida o Chile retrucou, pois também pretende conquistar o controle de um naco daquelas terras. As intenções de ambos entram em conflito com os interesses da Argentina e do Brasil, que passaram a reivindicar igualmente suas respectivas fatias do bolo. E ontem (11), a Austrália anunciou que está operando sua prórpia linha Tasmânia-Antártida, utilizando um Airbus A319 especialmente adaptado para decolar e pousar no gelo. Isso ao mesmo tempo em que o governo australiano prometeu vigiar a costa da região a fim de “inibir a caça de baleias pelos japoneses”. Há ecologistas que apóiam as intenções navais australianas, sem perceberem que assim aquele país vai assumindo, pouco a pouco, o controle de águas internacionais neutras…
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A população da Antártida cresce mais de 100% ao ano, e centenas de empresas desenvolvem atividades sem fiscalização alguma
Há uma clara corrida pela posse das terras no extremo sul. A expectativa de degelo acelerado jogou lenha nessa fogueira. Nesse pé, a coisa vai degringolar e assistiremos a um romimento do Tratado da Antártida, documento internacional em vigor desde 1959 e que proíbe o uso do continente para fins não-científicos. O mundo é, sempre e cada vez mais, dos muito ambiociosos.

Em casa de ferreiro o espeto é de pau

A Daniela alertou e está repleta de razão: o que chamamos de decoração natalina é uma prática antagônica ao discurso.

Neste ano da graça de 2007 debateu-se aquecimento global à vontade. Houveram posições para todos os gostos. E muita informação. Fartas reportagens em todas as mídias, documentários, pesquisas e discursos cutucaram a consciência de meio mundo. Nossa sanha por energia e o uso contínuo de fontes limitadas, as chamadas não-renováveis, judiam severamente do planeta. Choveram (e ainda chovem) centenas de conferências, seminários, encontros e painéis sobre a situação do clima. O negócio agora é salvar o mundo. MAS, no final de ano, presenciamos uma espécie de “recesso” não-declarado.

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O que chamamos de decoração natalina é uma prática antagônica ao discurso. Milhões de lâmpadas pisca-pisca que florescem nessa época consomem MUITA energia. Cada conjunto de 100 lâmpadas consome em média 50 W por hora. Multiplique isso por algum valor com muitos zeros e a conta será de assustar. Nosso natal cristão ocidental queima a Terra com um consumo que, à rigor, é completamente descenessário. A inteligência tupiniquim apresenta-nos o carnaval como a época em que nos tornamos mais permissivos, menos rigorosos com os costumes e com os valores morais. Porém, suspeito que as últimas semanas de dezembro não ficam muito atrás. O ano que chega “autoriza” descaso. Uma data que, em tese, celebra a vida, propicia verdadeiros atentados ao futuro dela. Essa nossa complexidade e incoerência ainda nos mata; literalmente.

Dê risada e seja uma pessoa alegre!

mainardi.jpg mainardi2.jpg Humor da melhor qualidade é entrevista com Diogo Mainardi. Qualquer entrevista. Mainardi talvez seja o único seguidor da escola do Olavo de Carvalho. Acredita que tudo e todos no país (inclusive a Rede Globo!) estão sob controle dos comunistas bolcheviques. Leia aqui a entrevista com o sr. Diogo realizada pelo jornalista Carlos Eduardo Moura. Divirta-se.

Em tempo: a entrevista realizada pelo Carlos é super competente. As respostas do Dioguito é que são dignas do riso.

Em tempo nº 2: rir do homem nada tem a ver com defender (ou atacar) o Lulinha, certo?

Em tempo nº 3: parece que (o ultra-paranóico) Olavo de Carvalho também tem seguidores no Exército Brasileiro — veja aqui.

Só a invenção do Graham Bell proporciona esse tipo de coisa

“Bom dia.”

“Bom dia, tudo bem?”

“Tudo. Pois não?”

“Queria falar com fulana, ela tá aí?”

“Sim, mas no momento ela está ocupada.”

“Mas que coisa, já liguei praí três vezes e tá sempre ocupada!”

“O sr. quer deixar recado?”

“Que nada, eu quero é falar com ela! Me dá ela aí!”

“Mas sr. ela não…”

“Tá, tá, já entendi. Então anota aí: meu nome é Orígenes Guimarães. Preciso falar urgente com essa senhora. Eu sô o irmão do Ulysses Guimarães, hein!, vê se diz pra ela se apressar.”

Ligação atentida as 10h da manhã de uma segunda-feira. É cada coisa que tenho de agüentar no meu estágio

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