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Quadrinho colaboracionista

O pessoal do Tinta China (excelente blog coletivo de artistas gráficos gaúchos), está promovendo um “concurso de humor interativo”. É o seguinte: toda semana um cartum será exposto, e qualquer pessoa poderá sugerir uma frase (em formato legenda ou “balão”) para complementar o desenho. O vencedor, além de receber o crédito de co-autor, vai ganhar um calendário ilustrado e receberá no conforto do lar um original do trabalho, autografado pela cartunista.

O cartum dessa semana é de autoria do talentosíssimo Rodrigo Rosa:

Acesse o post do concurso e envie sua idéia de texto!

Paradoxitozinho

O que torna alguém mais famoso do que ganhar um Prêmio Nobel?

jean-paul-sartre

Recusá-lo.

Histórias em Buenos Aires #2: onde as pessoas sentam e fazem silêncio

Mais um episódio da série ;)

Estávamos na cidade porteña em 1º de Maio, e presenciamos as comemorações do Dia Internacional do Trabalhador. Recém havíamos saído do mítico Café Tortoni quando encontramos com a coluna de manifestantes do Partido Obrero.

partido-obrero

Eles seguiam para a famosa Plaza de Mayo, e nós acompanhamos. Lá encontraram-se com outras colunas de manifestantes, principalmente blocos piqueteros.

piqueteros1

Rapidamente a praça e seu entorno foram tomados por uma multidão.

multidão-plaza-mayo

Em frente ao palco onde seriam feitos os discursos, muitas centenas de cadeiras foram ocupadas em menos de um minuto. Outras tantas centenas de pessoas permaneceram em pé ou sentadas no chão. E aqui começou nosso espanto: TODOS fizeram um “silêncio de cemitério” para ouvir os que se revezavam ao microfone.

platéia-plaza-mayo

Ninguém ficava mantendo conversas paralelas ou prestando atenção em outra coisa que não fosse o palco. O estranhamento é maior quando se considera que cerca de um terço da platéia era formada por estudantes, e, como bem sabe-se, jovens tendem a ser expansivos “por natureza”. Mas ali, não. Inexistia qualquer manifestação de irreverência juvenil durante a atividade. Reinava um respeito e uma consideração pelos oradores muito incomum para nós, povo tagarela que somos.

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“É melhor mandar o texto. Verso, deixa comigo.”

Anda escrevendo menos que jornalista da seção de óbitos. Mas essa vale à pena:

O doido Tom Zé, último rebelde de verdade que restou do tropicalismo(?), está promovendo o colaboracionismo internético-musical. Ele foi convidado, pela revista Bravo!, para dar uma aula-discussão sobre criatividade. Então, o cabra fez um post no seu blog pedindo auxílio dos leitores para criar uma canção fic-polit-science a ser apresentada na ocasião. Dois-ponto-zerismo na veia. Confira.

tom-ze

Malagueta #9

malagueta edição #9

Mais um episódio da Revista Malagueta está no ar. E, tchê! — tal como se diz aqui nos pagos — tá tri boa a edição #9! O único defeito da Renata é me destinar uma coluna. Mas um dia ela aprende ;) . E não deixe de ler essa revista que anda cada vez mais luso-brasileira. Coisa das boas, podis crê.

A reciclagem está acabando com a missa de domingo

Já fomos um país muito mais cristão do que hoje. O mundo inteiro, aliás, já foi mais cristão do que o é agora. E, quando o nosso mundo era dessa maneira, uma das coisas mais importantes era a bendita missa de domingo. Não se tratava de qualquer missa, era um evento dos mais cruciais — talvez perdesse em importância somente para as de sétimo dia ou as de corpo presente. Nessas ocasiões, não se cumpria somente um ritual da socialização. Ali, no terreno sob domínio da retórica padresca, consumava-se a redenção das consciências pesadas. As miudezas pecaminosas (bem como as grandezas) do dia-a-dia classemediano eram extirpadas entre um amém e outro. Assista uma missa e ganhe grátis a incrível sensação de alívio na consciência — esse poderia ter sido o slogan, a agência do Vaticano deu bobeira.

Acontece que, sabe cumé, né, esse trem danado que é o planetinha, gira. O catolicismo, que assegurou tanta coisa à tanta gente durante tanto tempo, perdeu gás. Um pesado esqueleto no armário (a dona Inquisição) e uma teologia hermética demais para um mundo de dinâmicas mais intensas que outrora, arremeteram a missa de domingo e todo o resto para um crescente ostracismo-que-precede-a-desimportância. Mas, se é assim, o que restou capaz de distribuir consciência leve por aí? Restou a Ecologia, meu bem. Separe o lixo, não jogue papel no chão, evite os aerosóis e… pronto!, aquela sensaçãozinha de consciência leve já comparece. Vai lá, experimenta você mesmo. Deixa de ter vergonha e experimenta. Viva um dia “ecologicamente correto” por inteiro e perceba como sentir-se-á muito bem à noite. Aquele sentimento de dever cumprido vai te invadir; pode crer. E vais perceber também o quanto isso se torna um vício. Não há coisa mais reconfotante do que assistir notícia sobre aquecimento global (acompanhado do inerente fim do mundo, preferencialmente) e poder pensar: minha parte tô fazendo; então, ó, não é comigo a coisa (qualquer semelhança com movimentos de bloguinhos bonitinhos e socialmente responsávelzinhos é mera coincidência). Se é verdade que existe a porqueta da pós-modernidade, então taí mais uma conquista pro rol dela: inventou o engajamento egoísta.

PS: este post existe por causa do que o Bruno escreveu — o título, inclusive, foi concebido primeiramente num comentário lá.

PS2: este post existe também, de certa forma, por causa da saída dela — uma frouxa, por sinal, porque saiu se esquivando de dizer a verdade, de denunciar pra todo mundo qual foi a gota d’água (um grandissíssimo crime, registre-se).

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A classe média faz o discurso, mas vejam quem é que põe a mão na massa da reciclagem pra valer.

Histórias em Buenos Aires #1: o Jesus Cristo mulato

Conforme prometido, começarei a publicar hoje pequenos comentários ilustrados sobre o que vivenciamos na cidade porteña durante o feriadão passado :)

Um lugar onde admiti-se Cristo mulato

Muitos entendidos afirmam ser uma falácia o Jesus pintado pela Igreja: branco, de cabelo castanho, liso e sedoso. Essa imagem teria sido construída porque ele tinha de se parecer com o europeu padrão, uma vez que diz lá na Bíblia que Deus “fez o homem à sua imagem e semelhança”. Acontece que Cristo nasceu e viveu numa região do mundo onde os biotipos predominantes são muito diferentes dos da Europa Ocidental: pele morena, cabelos encrespados e negros. Logo, é virtualmente impossível ter existido um Cristo como o propagandeado pela maioria dos católicos. A Igreja, porém, até hoje não deu “o braço a torcer” sobre essa questão. Por isso nos espantamos, pouco depois de adentrar à Catedral de Buenos Aires. Na primeira câmara, do lado direito, há uma baita estátua de Cristo… mulato!

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Talvez a foto não mostre exatamente do que se trata (havia muito luz amarela no local e usar flash estragaria tudo), mas sim, é um Cristo bem mulatinho, de olhos escuros, longe de se adequar ao biotipo europeu que tanto conhecemos. Essa imagem um tanto heterodoxa de Cristo surpreende quando consideramos que está localizada numa Catedral super ortodoxa, instituída no ano de 1620, em sintonia com o ortodoxismo xiita do clero de então.

***

O prédio dessa Catedral merece um destaque à parte. Foi construído no século XIX, em estilo greco-romano, para substituir o prédio antigo (que era feito de barro e pedra).

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No lado de dentro, podemos ter uma noção de onde foi parar parte do ouro que os espanhóis expropriaram de nosso solo após haverem dizimado a população indígena nativa (através do que foi, provavelmente, o maior genocídio da história humana):

catedral-metropolitana-de-buenos-aires

Hola!

Entao eh o seguinte: o blogueiro e sua dona excelentissima foram viajar para Buenos Aires! E estamos ca no momento. Ha muita e muita coisa para contar. Na medida do possivel, vamos fazer isso. As primeiras constatacoes sao:

1) a acentuacao nos teclados daqui eh muito diferente, como se pode notar;

2) nao eh uma cidade recomendavel para quem pretende deixar de fumar — aqui fuma-se muito, em quase todos os lugares (ateh motorista de onibus coletivo fuma enquanto dirige!), nao existe a cultura anti-tabagista do Brasil;

3) Buenos Aires eh MUITO bonita — e sim, aqui ha uma livraria por quadra (ao menos no centro);

4) com tempo e vontade pode-se garimpar bastante nas dezenas de sebos — por exemplo: compramos uma edicao mui chique do Casa Grande & Senzala por 20 pesos (13,20 reais!), coisa IMPOSSIVEL no Brasil.

Mais historias (como o causo do Jesus Cristo negro) nos proximos dias. Saludos!

Por isso que me orgulho de ser do sul

Quem será que teve a idéia de levar os Cascavelletes à um programa infantil? Mais impressionante do que isso, só a naturalidade com que a Angélica encara a coisa.

PS.: o blogueiro pede desculpas por essa ludibriação que é postar um videozinho… Tempo para escrever é um suprimento em falta atualmente. Mas, nesse feriadão que começará na quinta, haverão novidades ;)

Consideração por ocasião da provável morte de um padre voador

O princípio lógico da afirmação de Cecília Meireles sobre a questão da liberdade (Liberdade, essa palavra / que o sonho humano alimenta / que não há ninguém que explique / e ninguém que não entenda) não é universal. Há diversas coisas que não são explicáveis mas que, nem por isso, todo mundo entende. Esse é o caso da Razão. Não que inexistam explicações do que ela é — pelo contrário, existem muitas. Centenas. Talvez milhares. Quando há explicações demais é, de certa forma, como se não existisse nenhuma, pois, se é preciso tanta explicação diferente, é sinal que se está distante de compreender a coisa em sua “essência”, digamos.

Atribuímos significados distintos à Razão: podemos usar a palavra fazendo referência a motivo/causa (Qual a razão disso?), certeza (Eu estou com a razão.), lucidez (Recuperei a razão.), regra (A razão desta equação será sempre 2.), capacidade (Tenho mais razão do que os outros.) etc, etc e etc. Temos uma dificuldade enorme de precisar o que é a Razão e o que é razoável num sentido universalmente válido, inquestionável. Por exemplo: de acordo com a minha razão, é completamente irracional um bendito dum padre se amarrar numa penca idiota de balões coloridos e sair voando por aí ao sabor do vento. É mais que irracional, é imbecil, estúpido. Mas, de acordo com a razão do tal padre, deve ser perfeitamente razoável flutuar por aí, principalmente num dia de péssimo tempo. Certamente ele deve ter suas razões (quem sabe encare a coisa como uma maneira de ficar mais próximo de Deus, vai saber…).

padre-voador

PS.: você vai me dizer que Razão é a capacidade de não fazer bobagens letais. Óquei. Mas o que é, então, uma bobagem?

PS2.: vale tudo para responder a questão do pêesse anterior, menos xingar a excelentíssima minha mãe.

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